Sara chegou devagar e perguntou se podia esperar. Sentou-se na sala e deixou-se distrair pelos quadros na parede e pelas plantas que se viam através da janela.
Andreia e Carlos vieram cumprimentá-la e conversar. Explicaram que precisavam de uma pessoa cuidadosa para tomar conta da casa e das duas crianças, e perguntaram o que ela sabia fazer. Sara respondeu que sabia lavar e passar roupa, e cozinhar de um simples filé a um prato italiano completo.
O casal ficou satisfeito com as respostas e disse que ela podia começar no dia seguinte.
Sara chegou às seis da manhã. A casa era grande, com um corredor comprido que levava aos quartos. Os patrões já estavam de pé, e as crianças se preparavam para ir à escola.
Sara perguntou o que cada um gostava de comer e beber no café da manhã. Preparou café sem açúcar, fez ovos mexidos e esquentou pães na chapa. Em poucos minutos, todos estavam à mesa, comendo depressa antes de sair correndo para a rotina do dia.
Às 6h45, restou só Sara na casa. Era hora de lavar a louça, arrumar as camas, limpar os banheiros. Ela cumpriu tudo com rapidez e capricho, sem pressa.
Por volta das dez horas, Sara perguntou a Andreia a que horas todos costumavam almoçar e o que ela gostaria que fosse preparado. Cozinhou e às 12h30 a família já estava sentada à mesa, saboreando a refeição.
Andreia pediu, gentilmente, que da próxima vez fizesse uma quantidade maior de arroz e mais bifes de carne. Sara se desculpou e prometeu que assim faria.
Andreia e Carlos saíram às 13h30 para voltar ao trabalho. As crianças ficaram em casa durante a tarde. Brincaram com seus brinquedos, andaram de bicicleta pelo quarteirão e tomaram banho às dezesseis horas.
O primeiro dia de Sara foi exaustivo. Novas responsabilidades, novas tarefas, novas preocupações, mas ela enfrentou tudo com serenidade e educação, sem um sinal de queixa.
Os anos se passaram e já faz dez anos que Sara trabalha na casa de Andreia.
Numa segunda-feira, Sara chegou para trabalhar e foi recebida com abraços apertados, presentes embrulhados e agradecimentos sinceros pelos dez anos de dedicação e convivência. Andreia e Carlos, emocionados, disseram o quanto estavam satisfeitos com ela, com sua educação, sua lealdade e o cuidado que sempre teve com a casa e com os filhos, que já não eram mais crianças, mas adolescentes que a tratavam com carinho e respeito, quase como uma segunda mãe.
O casal mostrou ali, o quanto a rotina da família dependia da presença de Sara, e decidiu retribuir. Melhoraram o seu salário, deram-lhe presentes para sua casa, como móveis, televisor novo, etc. Além disso, fizeram elogios a sua forma profissional e cortês de trabalhar. Sara, por sua vez, ficou maravilhada, com os olhos marejados diante de tanto carinho.
Sara dependia daquele emprego para sustentar sua própria vida, mas a família dependia, ainda mais, da dedicação silenciosa de Sara. Foram dez anos de convivência sem desavenças, sem desencontros, construídos, dia após dia, sobre a mesma base simples e poderosa, a gentileza de Sara.
