Há oito anos Romeu Zema assumiu o governo de Minas Gerais. Agora se apresenta como pré-candidato à presidência da República e, no dia 16 de abril, divulgou seu programa. Antes de avaliar qualquer promessa, convém examinar o que ele prometeu e fez em Minas Gerais.
Zema recebeu o estado com uma dívida de R$ 110 bilhões; em 2026 ela chegou a R$ 200 bilhões, pois o governador não honrou sequer o pagamento mínimo obrigatório, preferiu judicializar a dívida e contou com decisões favoráveis do Supremo Tribunal Federal (STF).
Enquanto o passivo crescia, viaturas policiais pararam por falta de combustível, hospitais da rede estadual operaram com infraestrutura deteriorada e servidores receberam reajustes irrisórios. Ao mesmo tempo, verbas para propaganda institucional eram liberadas com regularidade, empresários aliados obtinham anistias fiscais e o próprio governador aprovava para si reajuste de mais de 300% na remuneração.
As empresas estatais mineiras foram sucateadas para viabilizar a transferência ao setor privado, em benefício de fundos de investimento.
O programa reserva um capítulo para o Bolsa Família, com a proposta de suspender o benefício para quem não demonstrar disposição de trabalhar. O argumento ignora levantamento da Fundação Getulio Vargas, divulgado em dezembro de 2025, segundo o qual 60% das famílias saíram do programa de forma espontânea desde sua criação e, somente em 2025, mais de dois milhões de beneficiários deixaram o cadastro voluntariamente. A narrativa do benefício como obstáculo ao trabalho contradiz os próprios números que o candidato deveria conhecer.
Na área de segurança, Zema defende a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e o fim da inimputabilidade penal para menores de idade.
Zema concentrou ataques ao STF, acusando a corte de ser um “balcão de negócios”, defendeu o impeachment de ministros, propôs um novo tribunal com idade mínima de 60 anos para os membros e chegou a defender a prisão de integrantes da corte. O STF tornou-se o alvo da extrema direita desde o governo Bolsonaro, com intensificação após 8 de janeiro de 2023. O propósito é inibir a corte, que é o obstáculo institucional mais consistente aos projetos que corroem os fundamentos democráticos do país.
Zema não é um reformador, ele é um adversário das instituições, sem planos concretos para servir à maioria da população.
Oito anos de gestão estadual o descredenciam para o cargo que almeja. Quem duplicou a dívida do próprio estado, sucateou o serviço público, premiou aliados e perseguiu servidores não acumulou experiência administrativa.
Sua trajetória revela o padrão de atacar os outros poderes, transferir o ônus do estado para os mais vulneráveis, conceder benefícios para uma minoria e não construir alternativas. O estado mínimo que propõe tem um funcionamento conhecido, onde prevalece o mais forte.
