Foi-se o tempo do voto de cabresto, imposto pelos coronéis e sustentado pelos currais eleitorais. Naquela época, os eleitores eram obrigados a votar em candidatos indicados pelos chefes políticos locais, que entregavam as cédulas já preenchidas para que fossem apenas depositadas na urna. Muitos nem sabiam em quem estavam votando e, quando questionavam, ouvia como resposta que “o voto é secreto”.
Com a Revolução de 1930, Getúlio Vargas deu início ao processo de combate ao voto de cabresto e, em 1932, instituiu o Código Eleitoral e criou a Justiça Eleitoral, responsável por organizar e fiscalizar as eleições. O mesmo código instituiu o voto secreto e o voto feminino, ampliando a participação popular.
Desde então, cada pessoa vale um voto, e esse voto traduz aspirações individuais. Alguns desejam um país mais democrático; outros, um país mais seguro; há quem precise de salários mais justos, quem busque melhores condições para empreender e há muitos que esperam um sistema de saúde melhor. Cada voto, portanto, concretiza desejos pessoais e expressa a intenção de construir um futuro mais condizente com as suas necessidades.
No entanto, a igualdade que o voto proporciona não se esgota no dia da eleição. Se, na urna, o voto do mais humilde tem o mesmo peso que o do mais poderoso, é preciso que essa igualdade se reflita também no acesso à informação, à educação e à participação política. Um voto consciente exige que o eleitor conheça as propostas, avalie o histórico dos candidatos e resista a práticas que corrompem a vontade popular, como a compra de votos e a disseminação de notícias falsas. Os novos “currais” de hoje ocorrem no meio digital, onde a disseminação de desinformação cumpre, em muitos casos, o papel que antes cabia à coação.
Por isso, votar é mais do que um direito, é um exercício de cidadania e de responsabilidade coletiva. Cada eleitor, ao escolher seus representantes, ajuda a definir os rumos do país e a fortalecer a democracia, conquistada ao longo de décadas de lutas.
Desde a Constituição de 1988, o Brasil vive um regime democrático pleno, com eleições periódicas para todos os cargos e em todos os níveis da federação. No golpe de 1964 os militares propuseram uma breve permanência no poder, mas ficaram 21 anos e somente sairam após uma luta árdua. Infelizmente ainda hoje, alguns grupos resistem a aceitar plenamente a normalidade democrática do país.
Por essa razão, é fundamental compreender a importância do próprio voto, respeitar a escolha dos demais e conviver democraticamente com as diferenças. Devemos ter consciência de que a alternância de grupos no poder é natural e saudável, pois em uma democracia autêntica, os governos são passageiros, e o que deve ser preservado é o direito de escolha dos eleitores.
Assim, a cada eleição o voto é o instrumento em que todos se encontram em pé de igualdade, momento em que cada cidadão exerce o seu voto com liberdade, responsabilidade e respeito ao outro.
