Nas redes sociais quem tem alegria, saúde, status, dinheiro, sucesso e produtos de consumo de alto valor às vezes exibe o que possui; quem não tem, se esforça para parecer que tem.
Era carnaval, e as meninas estavam tristes. Sem companhia, sentiam saudade dos namoros que haviam terminado e das amizades de escola que o tempo dispersou. Ainda assim, nas redes sociais, estamparam fotos de alegria, felicidade e sorrisos que, naquele momento, simplesmente não existiam.
O rapaz participa de uma corrida de rua. Corre e, quando se cansa, caminha, mas, ao perceber que está prestes a ser fotografado, apressa o passo e retoma a corrida, só para garantir uma boa imagem.
A menina fraca pela doença tira fotos para serem publicadas nas redes sociais, mas, antes de publicá-las, faz edição das fotos utilizando inteligência artificial ou algum aplicativo. Somente quando a foto estiver perfeita, sem imperfeições no rosto ou no braço, sem sinais de envelhecimento ou da doença, é que será publicada a foto irreal.
Essas cenas se repetem infinitamente, em diferentes formas, na vida de milhões de pessoas. As postagens são maquiadas, editadas e fabricadas para gerar uma sensação de sucesso e bem-estar, para conquistar engajamento, curtidas e comentários positivos. Cada imagem é uma pequena performance, cuidadosamente construída para convencer os outros e, muitas vezes, a si mesmo.
As redes sociais se tornaram a grande vitrine social contemporânea, onde as pessoas se mostram e observam a vida dos outros, comparando como cada um está levando sua existência nas mais diversas dimensões da vida. Porém, essa vitrine é repleta de vícios e superficialidade. Nela, as pessoas não mostram os seus problemas, suas vulnerabilidades, suas angústias e suas dificuldades mais comuns, exibindo apenas uma realidade idílica e perfeita, que raramente corresponde à verdade vivida por trás da tela.
O resultado desse jogo de aparências gera mais isolamento, pois comparamos nossa vida real, cheia de imperfeições e dias difíceis, com a vida editada dos outros. Cria-se, assim, um ciclo silencioso de insatisfação, ansiedade e solidão, alimentado pela ilusão de que todos, menos nós, vivem uma existência plena e feliz. Reconhecer essa irrealidade é o primeiro passo para reconstruir uma relação mais saudável com a nossa realidade e com as outras pessoas na sociedade. Desta forma, voltamos a entender que o ser humano e a própria sociedade é imperfeita, está em busca da perfeição e precisa uns dos outros para alcançar o aprimoramento.
Nas redes sociais todas as pessoas são perfeitas, fisicamente e psicologicamente, mas precisamos entender que essa aparência é irreal, pois o ser humano naturalmente envelhece e também passa por diversos problemas advindos da própria vida. Desta forma, quando as pessoas se apresentam perfeitamente bem, não mostrando seus problemas, não sinalizam que precisam de ajuda.
