O Amazonas, estado com a maior cobertura florestal do país, enfrenta em outubro de 2026 um cenário de queimadas e fumaça que atinge a capital e diversos municípios.
Até o dia 8, o estado acumulava 6.901 focos de incêndio no ano, aumento de 95,11% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Antes dessa atualização, o acumulado já superava 5,7 mil focos, número cerca de 80% maior que o de todo o ano passado, quando foram contabilizadas 3.113 ocorrências. Os primeiros dias de outubro confirmam que o ritmo das queimadas segue acelerado.
Entre os incêndios mais extensos está o registrado às margens da rodovia AM-010, na entrada de Itacoatiara. O fogo durava oito dias e atingia uma área de cerca de 1.149,75 hectares. Também há focos no sul do estado e na Região Metropolitana de Manaus.
De acordo com o INPE, os municípios com os maiores índices de queimadas são Manaus, Iranduba, Careiro da Várzea, Autazes, Manacapuru, Anori, Apuí, Lábrea, Manicoré e Novo Aripuanã.
A fumaça já afeta diretamente a população. Manaus lidera o ranking das cidades mais poluídas do país, e a má qualidade do ar provoca aumento de doenças respiratórias, sobretudo entre crianças, idosos e pessoas com problemas pulmonares.
A estiagem prolongada é apontada como o principal fator para o grande número de focos. O clima seco, somado ao desmatamento, facilita a propagação do fogo. Há, no entanto, registros de queimadas criminosas, que exigem investigação e responsabilização. Diante da gravidade do quadro, o governo estadual pediu apoio a Brasília, e o governo federal informou que vai reforçar o combate aos incêndios.
Os efeitos das queimadas agravam o quadro de destruição e seus efeitos vão além do território amazonense. A Amazônia, maior cobertura vegetal do Brasil, é responsável por gerar condições para a formação de chuvas no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul. O processo ocorre principalmente pela evapotranspiração das árvores, que lançam grandes volumes de vapor de água na atmosfera. Transportado pelos ventos, esse vapor forma os chamados “rios voadores”.
As chuvas resultantes sustentam a agricultura, o abastecimento de água das cidades e a geração de energia hidrelétrica. A floresta também ajuda a manter a temperatura mais estável e a umidade do ar elevada, além de armazenar grandes quantidades de carbono, liberado na atmosfera quando a mata queima, o que agrava as mudanças climáticas.
Especialistas alertam que o desmatamento e as queimadas criam condições para novos incêndios e secas mais intensas, formando um ciclo que preocupa pela possibilidade de a floresta atingir um ponto de não retorno, em que perde a capacidade de se regenerar.
