O envelhecimento deve ser compreendido como um processo que reúne experiência, aprendizado e capacidade de orientação para outras gerações.
A sociedade americana, padrão frequentemente reproduzido no Brasil, valoriza o novo em diversas dimensões. Modelos de carros são substituídos em curto intervalo de tempo, novos dispositivos de celulares são lançados anualmente. Esse padrão consumista, muitas vezes, é reproduzido para as relações sociais, reduzindo o espaço dos mais velhos. No entanto, os dados recentes indicam a necessidade de revisão desse entendimento.
No Brasil, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 17 de abril, aponta o crescimento contínuo da população com mais de 60 anos. O aumento da expectativa de vida reforça essa tendência e projeta um país com maior participação de pessoas em faixas etárias avançadas.
A questão central passa a ser como integrar esse grupo e aproveitar sua experiência. Isso exige mudança na forma de compreender o envelhecimento e sua função na sociedade.
Com a alteração do perfil demográfico, será necessário ajustar prioridades historicamente voltadas à população jovem. Políticas públicas devem assegurar condições adequadas ao envelhecimento, com ênfase em prevenção, acesso à saúde e incentivo à prática de atividades físicas.
O mercado de trabalho também precisará se adaptar, ampliando a presença de trabalhadores mais velhos. Para isso, além de condições de saúde, será necessário acesso à formação digital e atualização contínua.
Outro ponto relevante é o aproveitamento do conhecimento acumulado em atividades de mentoria, consultoria e formação de novos profissionais. A experiência prática pode reduzir erros, melhorar processos e acelerar a formação de trabalhadores mais jovens.
A adoção dessas medidas não deve ser postergada, diante da ampliação da participação dos mais velhos na sociedade. Esse cenário também exige revisão do modelo de aposentadoria precoce, que pressiona os sistemas previdenciários e reduz a permanência de trabalhadores experientes em um contexto de menor entrada de jovens no mercado.
Com melhores condições de saúde, a população idosa tende a direcionar seu consumo para lazer, cultura, turismo e educação, em vez de serviços hospitalares. Esse movimento altera o padrão de demanda e impulsiona setores como cuidados pessoais, tecnologias assistivas, habitação adaptada, mobilidade, serviços financeiros e formação continuada.
Além disso, cidades e espaços públicos precisarão se adequar a essa realidade, com infraestrutura acessível, transporte eficiente e serviços voltados a diferentes fases da vida.
O aumento da longevidade, associado a melhores condições de vida, representa uma oportunidade de crescimento econômico. Para isso, é necessário ampliar a participação no trabalho após os 60 anos, investir em educação, reduzir desigualdades em saúde. Além disso, a economia da longevidade envolve a reorganização da sociedade diante de vidas mais longas, com integração entre experiência acumulada e novas demandas sociais.
