Nos dias 29 e 30.03, Bolsonaro demitiu o Ministro da Defesa e os comandantes das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), gerando uma crise militar.
Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública, em conversa por telefone com a Folha de São Paulo, no dia 02.04, publicada no artigo publicado com título “Militares disseram não a Bolsonaro e sim à democracia, diz Jungmann”, fez diversas afirmações e respondeu a perguntas.
Jungmann avaliou estar o presidente perdendo a capacidade de governar, afirmou os militares dito sim à democracia e à Constituição e, dessa forma, aceitarão qualquer resultado das eleições para presidente de 2022. Alertou para o risco da crise sanitária causar instabilidades sociais e disse temer o avanço armamentista.
As demissões do Ministro da Defesa e dos comandantes motivadas por questões políticas, entretanto os novos nomes manterão a não politização das forças armadas e afirmou “Foi o dia do fico, no caso, ficar com a Constituição, com a democracia“. Acredita que militares da ativa somente devem ocupar cargo no governo em casos excepcionalíssimos. O cargo de Ministro da Defesa pode ser ocupado por civil ou militar e o assunto deve ser debatido e legislado pelo Congresso Nacional.
Bolsonaro foi eleito na onda da antipolítica e não fez o presidencialismo de coalizão. Os militares entraram voluntariamente no governo, como um exercício de cidadania e um rechaço à política que se deixou corromper. Agora, Bolsonaro governa com os militares e a massa, mas falha em diversos aspectos e busca efetivamente governar com o Centrão, pois está enfraquecido pelas fake news, atores do bolsonarismo, processos sobre pessoas de sua família, a pandemia, recessão econômica.
Raul Jungmann teme uma guerra civil, causada pela política armamentista de Bolsonaro e a proposta de quebra do monopólio da violência pelo Estado.
A entrevista é elucidativa do sentimento de um ex-ministro da Defesa, mas a afirmação dos militares serem fiéis à Constituição e à democracia é desmentida pelo Golpe de 1964, com a retirada do poder de representantes eleitos e com ofensas à Constituição da época. Ficaram no poder 21 anos e somente saíram quando não conseguiram enfrentar os problemas nacionais de recessão econômica e inflação.
Na Revista Veja, edição 2691, de 17.06.2020, o general Luiz Eduardo Ramos, perguntado, respondeu ser ultrajante as forças armadas darem golpe, com quebra do regime democrático, mas ao final avisou para a oposição “não estica a corda”.
De modo geral, o discurso dos militares é de não existir clima para intervenção, podendo se concluir que, se houver clima estão dispostos a dar um novo golpe.
Nesse contexto, é preciso reforçar as bases das forças armadas serem instituições de Estado, para garantir a soberania nacional e vigiar as nossas fronteiras. Além disso, é preciso investir para dotá-las de tecnologia, pois somente tropas convencionais não conseguem garantir a soberania de um país.