Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 na frente. Como nenhum candidato ultrapassou 50% dos votos válidos, o TSE confirmou o segundo turno entre ele e Lula para 25 de outubro.
Desde o resultado, Flávio passou a agir como quem já ocupa o Planalto. Prometeu um “tesouraço” nos gastos, com redução do número de ministérios e de cargos comissionados, e o uso de ativos da União para reforçar o caixa, inclusive com a venda de estatais. Este discurso merece atenção, pois o candidato defendeu recentemente a privatização das praias brasileiras, e as terras raras do país são de grande interesse para os Estados Unidos.
Ele diz querer devolver o país à “normalidade democrática”, expressão que soa estranha para um candidato cujo pai, Jair Bolsonaro, cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. Na convenção do PL, Flávio prometeu conceder anistia aos investigados pelos atos de 8 de janeiro.
No Judiciário, o tom é de confronto. Flávio promete indicar cinco ministros ao STF, apostando na saída de Alexandre de Moraes, e defende o fim do foro por prerrogativa de função.
Defende também o fim da reeleição presidencial. A promessa convém a um candidato que quer parecer desapegado do poder, mas a história recente mostra que quem assume a cadeira costuma rever essa posição.
Na pauta fiscal, integrantes de sua equipe defendem que os reajustes das aposentadorias e do BPC deixem de acompanhar o aumento real do salário mínimo.
Na agenda trabalhista, Flávio se opõe ao fim da escala 6×1, debate que classificou como “inoportuno e eleitoreiro”, e defende a remuneração por horas trabalhadas. Segundo ele, o trabalhador deveria ter liberdade para escolher a própria escala e receber conforme as horas cumpridas. Os defensores dizem que a proposta amplia a flexibilidade e a renda de quem quer trabalhar mais. Os críticos respondem que o pagamento por hora pode reduzir a renda de quem precisa de estabilidade e transferir ao trabalhador o risco da oscilação de jornada.
No dia 25, os eleitores escolhem entre Lula e Flávio. Ele chega embalado pela vitória no primeiro turno, mas o segundo turno é uma nova eleição, e o resultado segue em aberto. Terminar em primeiro lugar dá ritmo à campanha, mas não garante a vitória.
Há ainda uma questão que vai além da disputa. Promessas de campanha são mais fáceis de fazer do que de cumprir. Uma base ampla no Congresso ajuda a aprovar projetos, mas bases governistas tendem a ser mais unidas antes da eleição do que depois dela. Passada a vitória, as alianças costumam se fragmentar em disputas por cargos, verbas e interesses de cada grupo. Cortar ministérios significa tirar espaço de partidos aliados, e é aí que a promessa será testada.
Resta saber que caminho o país seguirá se Flávio vencer e como serão as mudanças constitucionais que ele enviará ao Congresso. Elas retirarão direitos, inclusive os fundamentais? É de esperar que haja propostas de alteração no sistema de Justiça, mas resta saber se fortalecerão ou enfraquecerão o sistema de freios e contrapesos.
