Falar em legado remete à ideia de termo utilizado no direito para a designação, em vida, de bens materiais para uma pessoa específica, dentro dos limites legais. Entretanto, esse artigo tem a intenção de apresentar o significado de legado em uma nova concepção, contida no livro “Qual é o seu legado? entrega, compromisso, autodescobrimento”, escrito por Marlon Reikdal.
O livro menciona a necessidade da pessoa criar uma conexão com algo maior, com o coletivo, desapegada de modos de vida ditados por terceiros ou pela moda, muito além dos prazeres imediatos e objetivos individuais.
Todos nós recebemos um legado (conjunto de relações e intenções) de parentes, amigos e conhecidos. Para não ficarmos em um vazio de desconexão com o próximo e com a humanidade, todas as pessoas precisam se envolver com causas, a partir da análise do legado recebido e da reflexão sobre a necessidade de intensificar relações.
A indiferença das pessoas com problemas do mundo está relacionada ao receio de críticas e rejeição, mas também porque muitas questões chegam a sensibilizá-las diretamente. De forma geral, as pessoas somente se movem quando tem interesses ou afetos envolvidos.
A desconexão pessoal advém do orgulho, da vaidade, do ciúme, da inveja, da avareza, da culpa, da insegurança, enfim, vem do egoísmo e da dificuldade de reconhecer a necessidade do outro.
A primeira pessoa a ser prejudicada quando não se pergunta qual é o seu legado é a própria pessoa, tornando a sua vida bem menor, negando-se a se conectar com o próximo e com o seu futuro. Essa negação de conexão faz a sociedade ser egoísta, à espera de gênios para transformá-la.
A vaidade se pauta pelo forte desejo de admiração, sendo sinônimo de ostentação e exibicionismo, gerando movimento de auto promoção. A maioria das pessoas vaidosas produz danos, pois há uma preocupação somente consigo e não com os outros.
Esta sociedade vaidosa está adoecida, com vidas sem sentido, preocupadas consigo mesmas, sem estarem ligadas aos problemas ao seu redor, negando o coletivo e destruindo vínculos.
O primeiro passo para termos um legado é fazermos o autodescobrimento com a aceitação do nosso egoísmo, entendermos o que nos deixa feliz e fazer uma auto análise psicológica. Ao assumir o nosso egoísmo passamos a reconhecer sermos cegos pelo outro e conscientizamos de nossa dificuldade de ver o nosso entorno. O egoísmo nos deixa em um estado de pobreza interna, com o desejo infinito de querer tudo para si infinitamente, e, por isso, essa pessoa se atrapalha nas relações por esperar o reconhecimento do outro.
De forma geral, o maior legado é a pessoa ser quem é, desenvolvendo com o conhecimento de si mesmo, suas limitações, as causas de seu egoísmo, fazendo conexão com o que somos e com aceitação das outras pessoas como são. Ser dessa forma ensejará críticas, mas a vida somente vale a pena quando somos nós mesmos.