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Brasil 2024: entre a democracia e a sombra autoritária

No dia 01.01 Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência do Brasil em meio a uma polarização política intensa. Contudo, o país não celebrou a transição democrática como deveria. Nos dias que se seguiram, uma onda de protestos, violência e caos se instalou, revelando feridas profundas na sociedade brasileira.

A história recente do Brasil, marcada por décadas de ditadura militar, ressurgiu de maneira sombria.

O filme “Argentina, 1985“, disponível na plataforma Amazon Prime Video, oferece um olhar perspicaz sobre os desafios enfrentados pelos promotores públicos argentinos na busca por justiça contra os crimes cometidos durante a ditadura militar. No entanto, a narrativa brasileira se desenha de forma diferente, onde a concessão de uma lei de anistia aos militares resultou em impunidade a servidores públicos financiados por recursos públicos, Dessa forma, eles escaparam das devidas consequências legais por usurpar e abusar de suas funções durante a ditadura militar, entre elas, prisões arbitrárias, torturas e assassinatos, frequentemente direcionados contra meros opositores e discordantes do regime, deixando uma lacuna de impunidade que perdura até os dias atuais.

Essa impunidade gerou uma cultura de adoração a ditadores, torturadores e carrascos no Brasil, que não apenas se orgulham dos atos cometidos, mas também acreditam na continuidade da impunidade, criando uma lacuna de responsabilidade que persiste até os dias atuais. A ascensão de Jair Bolsonaro à presidência, conhecido por exaltar a ditadura militar, representa o ápice dessa ressurreição de práticas autoritárias.

Após a vitória de Lula nas eleições de 2022, o país testemunhou uma série de eventos perturbadores. Os seguidores de Bolsonaro iniciaram protestos, interrupção de rodovias e acampamentos em frente aos comandos militares. O clima de tensão teve seu ápice na diplomação de Lula em 12.12.2022, com atos de vandalismo e tentativas de invasão ao prédio da Polícia Federal.

As notícias plantadas nas redes sociais alimentaram a narrativa de que Lula não tomaria posse em 01.01.2023 e, apesar de Lula ter assumido o cargo, a situação se deteriorou uma semana depois, em 08.01.2023, com a depredação e destruição dos prédios da Praça dos Três Poderes por milhares de manifestantes pedindo intervenção militar.

A resposta do Estado foi firme, com intervenção na segurança pública de Brasília, milhares de prisões e condenações pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a dura repressão também levanta questões sobre o equilíbrio necessário entre responsabilização e reconciliação.

O Brasil encontra-se em uma encruzilhada entre a consolidação democrática e o ressurgimento de tendências autoritárias. A tensão política evidencia a urgência de um diálogo nacional para superar as divisões, promover a reconciliação e garantir que os horrores do passado não se perpetuem no futuro. Em um país onde a impunidade e a adoração aos tempos sombrios ainda persistem, a busca por uma verdadeira democracia torna-se mais crucial do que nunca.

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