No dia 26.04 foi criada a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), do Congresso Nacional, composta por representantes do Senado e Câmara Federal, com o objetivo de investigar os ataques do dia 08.01 aos prédios dos 3 Poderes, em Brasília.
O governo era contra a CPMI por entender que a Polícia Federal e o STF estavam apurando os fatos ocorridos, mas aceitou, após a divulgação das imagens do GSI.
Os ataques foram efetuados por seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro, com pedidos de intervenção militar para interromper o governo legitimamente eleito de Lula em 2022.
Os ataques de 08.01 foram rechaçados. Foi decretada a intervenção federal na segurança do Distrito Federal (DF). O STF afastou o governador do DF por 90 dias. Foi preso Anderson Torres, secretário de segurança do DF no dia 08.01. Milhares de pessoas continuam presas, a PGR já denunciou todas e o STF acatou denúncias para tornar 100 acusados réus.
Desde a posse, em 01.01.2019, Bolsonaro fez discursos contra as instituições democráticas, o processo eleitoral, a urna eletrônica, a imprensa, as minorias, as mulheres, a favor das armas e de torturadores de direita. Isso foi um mau exemplo, aumentou a violência contra as minorias e instituições democráticas, formou um exército de seguidores radicais e toda essa energia destrutiva acarretou os ataques de 08.01 aos prédios dos três poderes.
Dessa forma, uma minoria, auto-intitulada “patriotas”, atacou os símbolos da democracia e da república brasileira, muitas foram presas e poderão responder a penas de até mais de 30 anos de prisão, mas muitos líderes instigadores, financiadores e organizadores continuam intocados.
Os seguidores bolsonaristas continuaram unidos e seus parlamentares passaram a pedir melhores condições carcerárias para os ditos patriotas presos, reclamaram da comida servida, enfim passaram a exigir direitos humanos, mas pediam claramente um golpe militar no Brasil, com consequências inesperadas e inaceitáveis, como as ocorridas na ditadura pós-1964, como tortura, perda de direitos civis e políticos, etc.
Os parlamentares alinhados ideologicamente com os invasores dos prédios pedem para a CPMI investigar os responsáveis, no caso, os seus comparsas que já estão sendo investigados. Na verdade, o objetivo maior é criar uma pós-verdade (manipulação dos fatos para criar uma nova verdade mentirosa), gerar fatos para repercutir em suas redes sociais, fazendo da CPMI um circo execrável de baixarias, com quebra do decoro parlamentar.
Para o povo brasileiro, a CPMI deve servir para colaborar com as investigações em andamento para o deslinde dos demais responsáveis, sem esquecer a necessidade do Poder Legislativo cumprir a pauta de temas relevantes, como a votação do novo arcabouço fiscal e da reforma tributária.