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Vida para o Mar de Minas

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Foto: https://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Furnas

 

 

A represa de Furnas foi criada em 1960 com a finalidade de gerar energia para a Região Sudeste.

Para formar o lago de Furnas foram alagadas áreas, em sua maioria de terras férteis. O alagamento deixou milhares de proprietários insatisfeitos; mesmo entre os indenizados, muitos morreram de desgosto.

Para diminuir as resistências, foram publicados informes na região afetada, com promessas, além da obrigatória indenização, de estímulos para o multiuso da água, no caso o turismo, náutica, piscicultura, irrigação, etc.

Os anos passaram e o local passou a ser denominado Mar de Minas, atraiu milhares de turistas, impulsionou o setor imobiliário, restaurantes, náutica, hotéis e pousadas. O Lago foi eleito, pela Revista Náutica, como um dos 12 melhores lagos doces do Brasil para o esporte de náutica e ficou conhecido nacionalmente por sua beleza e atrações turísticas.

O Governo de Minas, em 1990, elaborou o Plano Diretor do Lago de Furnas, atraiu investidores para executá-lo com aproveitamento de todas as suas potencialidades. Foram gerados milhares de empregos no terceiro setor e a economia regional mudou.

Infelizmente, Furnas, por determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico, ONS, com a aquiescência de diversos órgãos, entre eles a Agência Nacional de Águas, ANA, e a Agência Nacional de Energia Elétrica, ANEEL, passou a manter as comportas abertas, em parte, para gerar energia e também para passar água, manter o nível de água e tornar navegável o Rio Tietê, em São Paulo. Essa definição ignorou a participação dos principais prejudicados, no caso os 34 municípios mineiros lindeiros e outros participantes da bacia.

Dados do ONS comprovam Furnas não necessitar de mais de 19,5% da água do lago para gerar energia e, assim, a passagem de água em grande volume atende somente ao interesse de manter navegável o Rio Tietê.

O resultado é o lago de Furnas ter pouco volume de água, cerca de 34%, mesmo no atual período de chuva, e isso inviabiliza a economia do terceiro setor regional. A Represa de Três Marias, por exemplo, hoje tem volume de água de mais de 70%.

A ameaça de pobreza para os mineiros se repete em prol da riqueza de outros Estados. Em 1960, a economia agropecuária perdeu áreas férteis, inundadas para formação do lago, com vistas a fornecer energia para a Região Sudeste. Nos últimos anos, o lago de Furnas secou e deixou a economia regional empobrecida. Houve desemprego e perda de investimentos, devido à quebra da promessa de Furnas de manter o multiuso da água, enquanto o Rio Tietê teve a navegabilidade garantida.

O correto é gerar um ciclo de riqueza para todos, principalmente os mineiros, donos dos recursos naturais do Lago de Furnas. Para pedir pouco, é necessário ter o mínimo de 50% da água do Lago, para serem viáveis as atividades do multiuso da água e o funcionamento do setor de serviços da economia.

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