Submissos atômicos

  • Categoria do post:Geral
  • Comentários do post:0 comentário

O mundo conheceu o potencial destrutivo das bombas atômicas em 1945, quando os EUA bombardearam as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, com a morte imediata de milhares de pessoas e nos anos seguintes morreram incontáveis vítimas por irradiação.

Cerca de 5 (cinco) países detêm, oficialmente, arsenal atômico, com poder nuclear ativo no mundo, e, coincidentemente, todos são membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, ONU: EUA, Reino Unido, Rússia, China e França.

Existem outros países, como Índia, Paquistão, Israel, Irã e Coréia do Norte, que não divulgam oficialmente possuírem armas atômicas.

Os países oficialmente detentores de armas atômicas coíbem e até adotam ações punitivas, principalmente sanções econômicas, pelo fato dos demais países do mundo cogitarem utilizar os conhecimentos atômicos para fins militares, mas eles não destroem os seus próprios arsenais atômicos.

Países como o Japão, Alemanha e o Brasil têm usinas geradoras de energia elétrica a partir de componentes atômicos, dentro das limitações impostas de fazer uso pacífico da tecnologia.

É certo, que no caso de uma ameaça de invasão a um país, o país com tecnologia atômica para finalidades pacíficas poderia desenvolver o seu arsenal militar atômico, porém com as tecnologias invasivas de espionagem, via satélites e drones, estas tentativas logo seriam detectadas e destruídas por armas de longo alcance.

O princípio da soberania prega a autonomia de cada país nas decisões internas, sob todos os aspectos.

Infelizmente a existência de países com armas atômicas, com cada vez maior potencial bélico propiciado pelas novas tecnologias, gera a desigualdade e até a submissão dos demais países aos ditames deste pequeno grupo de países, usurpadores dos ideais da igualdade dos países, detentores de poder de destruição global e usam este fato para amedrontar e aterrorizar os demais.

Em 1970 passou a vigorar o Tratado de não proliferação de armas nucleares (TNP), com adesão de 189 países, que conseguiu na prática evitar a generalização da detenção de poder nuclear por todos os países e também acarretou a manutenção de um restrito Clube Nuclear, com potencial bélico nuclear a pairar sobre as cabeças dos seus adversários e, quando reunidos no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, ONU, decidem qual país pode ser ou não retaliado por quaisquer atividades nocivas ao mundo e principalmente aos seus interesses, e empreendem apoios a governos democráticos e mesmo ditatoriais, de esquerda e de direita, de acordo com as suas conveniências imediatas.

Os países participantes do Clube Nuclear não detêm somente o domínio mundial da tecnologia de uso de armas atômicas, mas também dominam economicamente e politicamente o mundo, ao definir e moldar os países de acordo com os seus objetivos geopolíticos e econômicos. Suas ações e políticas influenciam e também podem inquietar os demais países.

Por outro lado, é certo que uma guerra atômica aniquila não somente o local de detonação da bomba, mas também irradia poluição atômica a dezenas de quilômetros, causa desequilíbrio do meio ambiente e gera a impossibilidade da sobrevivência nestes locais.

Os ideais de todas as nações virem a ser iguais e soberanas, preconizados por Rui Barbosa, em 1907, na Conferência de Haia, encontram-se assim distorcidos por um grupo de países, com o discurso de serem os garantidores da paz mundial e por isto podem submeter os demais à sua vontade única ao custo da ameaça atômica.

A tão almejada soberania, independência e autonomia de todos os países somente poderá ser alcançada quando todos os países mundiais, embuídos do intuito de eliminar as armas nucleares, acordarem no próprio Tratado de não proliferação de armas nucleares (TNP) da inclusão de cláusula de metas para a destruição integral de todos os atuais arsenais nucleares.

Deixe um comentário