A globalização aumenta o intercâmbio de bens, investimentos, tecnologias e serviços. É muito bom aproveitar os seus benefícios, como a produção de um bem para aproveitar as vantagens relativas de um país e usando a facilidade de comunicação e transporte. Entretanto, a crise de 2008, a pandemia e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia romperam esse intercâmbio vantajoso.
A crise de 2008 gerou a ascensão do nacionalismo e do protecionismo, com ações contra a desindustrialização, aumento da desigualdade, desaceleração do crescimento da produtividade e choque das crises financeiras. Tivemos o estímulo para o retorno de empresas para os seus países de origem, inclusive nos Estados Unidos.
A pandemia do coronavírus mostrou a grande dependência da China, maior produtor de máscaras, gel, respiradouros e insumos para vacinas, além de termos a quebra da cadeia de produção imposta pelo fechamento de fábricas no mundo. Houve competição de países, entre si, para receberem produtos essenciais para o combate e tratamento da Covid.
Em 2022, a guerra da Rússia contra a Ucrânia veio aguçar e tornar mais evidentes a percepção das limitações da globalização, com a dependência entre os países para o fornecimento de bens essenciais para a sobrevivência.
Essa guerra envolveu dois grandes produtores de commodities (petróleo, gás, trigo, etc.) e gerou a diminuição da oferta e a disparada dos preços no mercado internacional.
As retaliações econômicas dos Estados Unidos e Europa, levaram a Rússia a sofrer restrições no comércio internacional e ter o fechamento de inúmeras empresas sediadas em outros países.
Todos esses fatores fazem os países, principalmente com a dimensão continental do Brasil, refletir sobre os benefícios de uma globalização e até onde compensa buscar a segurança (sanitária, alimentar, energética, etc.). As indagações surgem.
Foi benéfico deixarmos de produzir internamente produtos, como fertilizantes, e ficarmos dependentes da importação da Rússia ou de outro país?
Seria importante retomarmos o plano de substituição de importações e buscar a reindustrialização?
Seria viável vetarmos a exportação de produtos essenciais, para evitar a dependência de volatilidades internacionais e proteger o mercado interno?
A opção pela desglobalização importará também em termos um Estado mais intervencionista e direcionador. Até que ponto é importante isso?
A maioria dos países democráticos adotam as leis do mercado e estão globalizados, mas os países de regime autocráticos, por exemplo a China, se aproveitam dela para crescer, mas impõe obstáculos para a entrada de produtos e empresas estrangeiras.
A apreensão e desconfiança cresceram com a Rússia após o início da guerra e com seus apoiadores (Belarus, China, etc), com a geração de crescente tensão com os Estados Unidos e Europa, em uma polarização sem integração e busca de autonomia e segurança.