A polarização e a falta de novas lideranças são características da atual política brasileira.
Temos a recente luta entre a esquerda e a extrema-direita, protagonizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e os bolsonaristas e vemos antigos atores políticos a dominar a cena nacional.
Existem acusações mútuas e, nessa luta, não existe inocente e nem “santo”.
Merecem reflexão discursos antigos, para aguçar a adversidade e reunir seguidores para a campanha, como o “petismo significa insegurança jurídica, regulação da mídia e invasão à propriedade privada”.
Em primeiro lugar, ambos defendem a invasão de terras improdutivas, se diferenciando por serem privadas ou públicas. O PT tem apoio do Movimento Sem Terra (MST) e o bolsonarismo tem apoio dos madeireiros, garimpeiros e grileiros.
Em segundo lugar, quando no poder, ambos, não aceitam uma mídia ativa e atuante, sonham com uma mídia submissa.
Em terceiro lugar, ambos geram insegurança jurídica. Os bolsonaristas desejam colocar as instituições a seu serviço e pregam a eliminação das que não lhe são servis. O PT pretende acabar com o teto de gastos, rever a reforma trabalhista e da previdência.
O ex-presidente Lula, indiferente do resultado eleitoral de 2022, é o grande vencedor atual da política brasileira, após o seu ressurgimento no cenário político. Depois de ter sido condenado e preso, teve restituído os seus direitos políticos. Além disso, assistiu a derrocada do ex-juiz, Sergio Moro, considerado suspeito e incompetente nos processos em que julgou Lula, e o ex-procurador, Deltan Dallagnol, foi condenado ao pagamento de danos morais a Lula, por ter em 2016 apresentado PowerPoint com acusações a Lula.
O ex-presidente Michel Temer, tem sido um dos defensores da necessidade de pacificação do país e aconselha o próximo presidente a fazer um pacto de união, inclusive com a oposição.
Teremos também, a partir de 01.01.2023, um cenário econômico difícil, com inflação e taxa de juros altas, desemprego e recessão. Duras medidas terão de ser adotadas para alcançar equilíbrio fiscal e monetário. Entretanto, muitas das dificuldades são oportunidades a serem aproveitadas, como incentivar a reindustrialização, construir parque energético alternativo (solar, eólico, etc.), simplificar a tributação, substituir importações.
Michel Temer também afirmou que “pesquisas de hoje não são as de amanhã”, pois a liderança hoje, apontada em pesquisas, não garante vitória futura.
Lula é o líder nas pesquisas eleitorais, mas não podemos esquecer que é Bolsonaro o favorito nas próximas eleições, pois ele detém controle da máquina para abrir as “portas da bondade” para os “eleitores fora do poder”.
Lula, Bolsonaro e Temer são importantes para a política brasileira e estão inscritos na história nacional, mas deveriam ser protagonistas de movimento para renovação e formação de novas lideranças políticas.