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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2020-11/eleicoes-2020distribuicao-das-urnas-eletronicas-1605383790)

Reunião com embaixadores estrangeiros tem ataques a instituições democráticas

No dia 18.07 Jair Bolsonaro fez reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada e, infelizmente, de forma inadvertida, gerou instabilidade ao expor suas opiniões e apresentar desconfianças sobre as bases de nossa democracia (a urna eletrônica e a forma de apuração de votos) e fez ataques a ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sem apresentar provas de manipulação das eleições.

De modo geral, a fala mostra desconforto com os resultados das atuais pesquisas eleitorais, as quais mostram o ex-presidente Lula liderando a corrida para o Palácio do Planalto, e prepara discurso de descrédito para poder alegar fraude eleitoral, em uma eventual derrota.

Ele acha um absurdo as pesquisas eleitorais não repercutirem os seus esforços em 2022, como ter reajustado duas vezes o Bolsa Família (atual Auxilio Brasil) para R$ 400 e R$ 600. Ele esquece ter, por 3 anos, tido atitude insensível com os problemas de saúde, econômicos e sociais do brasileiro e somente às vésperas das eleições, com objetivo eleitoral, resolveu agir para melhorar as condições da população para conseguir ter mais votos.

Na reunião, Bolsonaro alegou inquérito aberto pela Polícia Federal em 2018 ter detectado fraude, com acesso por hackers a códigos fontes e senhas, com alteração de nomes de candidatos e transferência de votos de um para outro candidato. Entretanto, essa informação foi desmentida pela própria Polícia Federal.

Em certo momento, o presidente, em uma autêntica “lavagem de roupa suja” para embaixadores de outros países, falou, de forma teatral e pouco convincente: “eu fico envergonhado de falar isso aí”.

A seguir, afirma que não “poderíamos ter tido eleições em 2020 sem apuração total do que aconteceu lá dentro. Porque o sistema é completamente vulnerável…

Logo a seguir, o presidente afirmou ser o nosso sistema eleitoral inauditável: “Vários outros países ou não usam ou começaram a usá-lo ou chegaram à conclusão de que não era o sistema confiável porque ele é inauditável. É impossível fazer uma auditoria em eleições aqui no Brasil.” 

Diversas associações de servidores federais, o presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Senado Federal, além de diversas outras entidades, renovaram a sua confiança no sistema eleitoral brasileiro.

O presidente da República tem a responsabilidade (artigo 85, da Constituição Federal (CF)) de respeitar o livre exercício dos Poderes da República e garantir os direitos políticos e a segurança interna do País. Supostas irresponsabilidades, contidas em lei, podem gerar processo contra o presidente, após autorização da Câmara dos Deputados (inciso I, do artigo 51, da CF). Nesse contexto, a reunião do dia 18.07 merece investigação por supostos ataques contra o Estado Democrático de Direito e abuso de autoridade. O Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria Geral da República (PGR) devem levar avante os pedidos da oposição para iniciar as investigações.

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