No dia 30.11 a Folha de São Paulo publicou os artigos (“Moro acerta contas com Bolsonaro e defende legado da Lava Jato em livro” e “Lava Jato foi vítima de suas virtudes, escreve Moro em livro; leia trechos”), sobre o livro “Contra o sistema da corrupção”, escrito por Sergio Moro, sobre o período em que foi juiz e ministro da Justiça. Entretanto, sendo um provável candidato a presidente em 2022, o livro não tem o escopo de trazer propostas para solucionar os problemas nacionais.
O presidenciável Ciro Gomes fez as seguintes assertivas sobre o livro: “Confissão de crimes em cascata, cumplicidade, subserviência, oportunismo e cinismo deslavado, são as definições mais civilizadas que se pode fazer sobre o conteúdo do livro de Sérgio Moro, no resumo apresentado… Nesta sua delação premiada, Moro admite não ter visto crimes nas rachadinhas nem nas seguidas agressões de Bolsonaro às instituições. Também não viu problema na enquadrada do general Villas Boas ao Supremo.”
Moro afirmou ter perdido confiança em Jair Bolsonaro, no dia 22.01.2020, “ao saber pelas redes sociais que o presidente cogitava retirar os assuntos da segurança pública da sua área de influência”. Pediu demissão de Ministro da Justiça três meses depois, sob alegação de sofrer pressões para trocar o comando da Polícia Federal e negou ter condicionado essa mudança a sua indicação para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele mostra ter tido atritos com Jair Bolsonaro muito antes.
Afirmou antes da posse, ter recebido explicações satisfatórias dos indícios do esquema das “rachadinhas” envolvendo a família de Bolsonaro e não viu sinais de poder ocorrer obstrução do inquérito, mas seis meses depois o STF suspendeu as investigações a pedido de Flávio Bolsonaro.
Em 2019 o presidente sancionou a lei anti crime e não vetou as mudanças feitas pelo Congresso contrárias ao texto original. Com isso, não atendeu pedidos de Moro: “Praticamente implorei… Minhas súplicas foram em vão.”
Moro não considera ilegais a participação de Bolsonaro nas manifestações contra o Congresso e o STF, em frente ao quartel-general do Exército, em abril de 2020, mas criticou a atitude, quando disse: “Criticar instituições ou agentes públicos faz parte do regime democrático. Mas bradar pelo fechamento das instituições e pela instauração de um regime autoritário são coisas bem diferentes.”
Em outro momento, Moro afirmou não ver nada de anormal na postagem no Twitter feita pelo general Eduardo Villas Bôas, então comandante do Exército, quando fez pressão para o STF negar o pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula, pois considera que se “o general quisesse pressionar o STF, agiria pelos bastidores e não publicamente”.
Moro critica a anulação pelo STF das suas decisões contra o ex-presidente Lula, quando o considerou suspeito (parcial). Afirma a Lava Jato ter seguido a Constituição e diz: “Nunca houve qualquer fraude cometida contra o ex-presidente no processo que resultou em sua condenação e jamais se atuou com parcialidade com ele.”
De forma inaceitável, Moro reclamou da repreensão do STF por ter divulgado o diálogo entre Lula e a ex-presidente Dilma, interceptado pela Lava Jato em 2016, e alegou ser padrão a ampla publicidade dos processos. Ao final afirma: “Se eu sofresse alguma punição naquele caso, penso, seria uma afronta à independência da magistratura”.
Moro não conseguiu explicar as mensagens dos membros das Lava Jato divulgadas pelo Intercept, as quais mostram indícios de sua falta de isenção na operação.