O governo tentou impedir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Covid-19, do Senado Federal, por receio de serem expostas suas ações, erros e omissões no combate à pandemia.
Durante a pandemia, o governo optou por se aconselhar com pessoas sem conhecimento científico, chamado gabinete paralelo.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, propagandeou o uso de medicamentos sem eficácia (principalmente hidroxicloroquina), a ineficácia das vacinas, a imunização de rebanho, criticou publicamente os governadores e os prefeitos por imporem medidas preventivas (uso de máscaras e de gel, isolamento social, etc.).
O relatório final da CPI será enviado ao Ministério Público, com apontamento de indícios de cometimento de supostos crimes por políticos, empresários, empresas, etc.
O governo omitiu ao não coordenar as medidas de proteção à saúde, sob a alegação de ter papel supletivo, em afronta à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 08.04.2020, a qual reconheceu a competência concorrente da União, dos Estados e dos Municípios na adoção de medidas preventivas contra a pandemia.
O presidente da República fez descaso da pandemia, quando disse, por exemplo, ser uma “gripezinha”, “não sou coveiro”, “Eu sou Messias, mas não faço milagre”, “todos iremos morrer um dia”, “Tem de deixar de ser um país de maricas”. Agora alega ser isso o uso de seu direito da liberdade de expressão, mas são abusos de direito, justamente feitos por quem deveria ser um modelo de civilidade.
No dia a dia, o presidente da República boicotou as medidas preventivas ao se apresentar em público sem máscaras, abraçar pessoas, aglomerar.
Em janeiro de 2021 o governo federal remeteu médicos e medicamentos ineficazes para o Amazonas, mas não atendeu a tempo os pedidos de oxigênio. Com isso, pessoas morreram asfixiadas por falta de oxigênio, médicos fizeram ventilação manual e a rede de saúde saturou.
Em 2020 o governo recebeu e ignorou propostas de venda de vacinas pela Pfizer, sob a alegação dos contratos terem cláusulas leoninas inaceitáveis no nosso ordenamento jurídico. Entretanto, não acelerou negociações para alterar as leis e permitir ter essa vacina o mais rápido possível.
Diante de tantos erros, o governo federal procura desacreditar a CPI, com relatório final indicando indícios de supostos crimes cometidos por diversas pessoas, inclusive o presidente da República.
Indigna o presidente da República ser insensível com os milhares de mortos, justamente ele, um cristão assumido, com falas com citações de passagens bíblicas, que implora comoção por ainda estar vivo após ter levado uma facada.
Durante os trabalhos da CPI muitos ficaram calados nos depoimentos e depois do Relatório final querem negar o que fizeram. Corajosos de negar ser a ciência a melhor forma de enfrentar a pandemia, hoje são covardes por terem de responder por seus atos irracionais. No geral, o relatório é justo com os insensíveis com o sofrimento alheio.