Foto: Vitor Abdala/Agência Brasil
Quixeramobim, cidade cearense, liderou o ranking nacional de geração de emprego formais, em proporção ao tamanho da população, devido a assinatura da carteira de trabalho de 4 mil operários, pela Cooperativa de Calçados de Quixeramobim (Cocalqui), após fiscalização de auditores fiscais do Ministério do Trabalho.
A formalização de relações trabalhistas em Quixeramobim tem também valor simbólico, ao demonstrar a presença do Estado na regulamentação das relações trabalhistas, principalmente em regiões como o Nordeste, muitas vezes vistas como recebedora apenas de repasse de verbas sociais, mas que tem crescido em importância econômica e de geração de vagas de empregos.
A realidade do desemprego é mundial, foi acirrada com a crise do subprime de 2008 e atingiu o Brasil a partir de 2015.
No trimestre, encerrado em março de 2018, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostrou o recuo da taxa de desemprego de 13,1% para 12,4%, mas registrou-se o aumento da informalidade, redução de postos com carteira assinada e forte saída de pessoas do mercado de trabalho.
No Brasil as altas taxas de desemprego decorrem de um baixo nível de atividade econômica e da desaceleração do consumo e do investimento. Apesar dos esforços do Governo Federal, a atividade econômica não melhorou e temos um mercado de trabalho fraco, sem perspectivas de melhoria da massa salarial e do consumo das famílias.
A sociedade ressente e sente as suas consequências.
Os jovens, a “geração canguru”, com idade entre 25 e 34 anos, adiam a saída das casas dos pais, diante do desemprego, além da necessidade de dedicar mais tempo aos estudos, os custos habitacionais elevados, a opção pelo casamento e maternidade mais tardios.
Os trabalhadores de idade mais avançada, diante da demora em obter emprego, optam por sair precocemente do mercado de trabalho, ao mesmo tempo que jovens retardam sua entrada.
O quadro de desemprego só não é pior devido o aumento do número de trabalhadores que desistiram de procurar emprego, os chamados desalentados, e também pelo aumento do trabalho informal e a opção de alguns trabalharem por conta própria.
Com as dificuldades econômicas e a necessidade de equilibrar o orçamento doméstico, muitas famílias abrem mão do empregado doméstico e assumem os afazeres do lar, descontratam totalmente ou mesmo passam a contratar uma diarista por uma ou duas vezes por semana.
Muitos trabalhadores, inclusive pessoas qualificadas, optaram ir para outro país buscar oportunidades de emprego, devido à falta de perspectiva de avançar na carreira no Brasil, por conta da lenta recuperação econômica.
Os avanços na área de automação e robótica tem modificado radicalmente o mundo do trabalho, inclusive pela realização de trabalho cognitivo e físico. Em primeiro lugar, este fato pode ser até bom para o desenvolvimento, mas é péssimo para a distribuição de renda. Em segundo lugar, este fato agrava os níveis de emprego ao tornar muitas tarefas manuais dispensáveis, com a redução da massa salarial. Em terceiro lugar, este fato gera a necessidade de maior educação da classe trabalhadora para se adaptarem à nova realidade.
A previsão é termos cada vez maior interferência de robôs nas linhas de produção, de acirramento da automação dos processos de trabalho, gerando uma cadeia produtiva com menos trabalhadores contratados e maior capacidade de produção de produtos e serviços a serem consumidos. O cenário, por exemplo, são galpões com dezenas de robôs, em um ambiente limpo e controlado por um a dois operadores treinados.
O mundo está em rápida transformação com impacto direto no trabalho, e temos a necessidade dos indivíduos e das organizações refletirem as suas ações. As empresas precisam ter líderes para escutarem os trabalhadores, engajando pelo diálogo, pois mesmo em um mercado com muita disponibilidade sempre falta a mão-de-obra treinada e com conhecimento. O aumento da longevidade e a decadência do modelo tradicional de previdência pública impõe a busca por trabalho por mais tempo, com plano alternativo de trabalho, seja prestando serviço para uma empresa, para várias organizações em tempo parcial ou mesmo montando o seu próprio negócio. Todas as adaptações visam gerar mais renda, por mais tempo.
Por outro lado, vivemos um período da economia mundial de opostos.
De um lado, países capitalistas, com regime democrático, à busca de maior competitividade, com a adoção de automação e robotização, com os trabalhadores efetivados trabalhando jornadas cada vez mais longas, estando o tempo todo conectados com as suas tarefas de trabalho. É o lucro pelo simples fato de se acumular mais.
De outro lado, temos a China, país de regime socialista, que adotou um modelo de Capitalismo de Estado, tendo condições de trabalho sub-humanas, produzindo produtos a preço baixo para todo o mundo, às custas do suor dos seus trabalhadores. É o lucro para fortalecer um Estado e um partido.
Infelizmente é a realidade sepultando visões utópicas. De países capitalistas onde a mão-de-obra poderia, com a automação e robotização, trabalhar menos e ter mais horas disponíveis para se dedicar ao lazer, e de países socialistas onde os ganhos do trabalho seriam completamente repartidos entre os trabalhadores.