Foto: UNclimatechange (https://fotospublicas.com/ativista-greta-thunberg-durante-coletiva-de-imprensa-na-cop25-day-9/)
Com um governo marcado pelo confronto e não pela conciliação e união, Bolsonaro está para completar no final do mês de dezembro um ano de governo.
O ambiente econômico depende de estabilidade e de confiança, para os agentes atuarem.
A confiança do empresariado e consumidores melhorou, graças a diversos fatores como a diminuição da inflação e dos juros, a aprovação da reforma da previdência, etc. Entretanto, a confiança precisa da manutenção de condições macroeconômicas, prejudicadas pelas instabilidades políticas protagonizadas pela família Bolsonaro.
Bolsonaro insiste em não contribuir para melhorar o clima da política nacional e finalizar as contendas. Persiste em polarizar, em dar nomes a todos os problemas encontrados. Ataca pessoas, instituições e países não alinhados aos seus pensamentos ideológicos. Venera os governos da ditadura militar de 1964. Seu filho e um ministro fizeram alusão a possível reedição do AI-5.
Um dos exemplos, foi Bolsonaro manifestar a intenção de não mandar representante na posse do Alberto Fernández, na presidência da Argentina, pois disse que ela “escolheu mal”. De última hora, a pedido do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e dos empresários, autorizou ir à posse o Vice-Presidente, Hamilton Mourão. Na posse, Fernández disse pretender construir uma relação produtiva com o Brasil. Nesse assunto, surpreende Bolsonaro se mostrar mais radical do que Dilma Rousseff, a qual foi pessoalmente à posse de Macri.
Outro fato, tem a ver com os fundos eleitoral e partidário. Após o resultado eleitoral de 2018, a família Bolsonaro afirmou ser o PSL um exemplo de como se pode fazer uma campanha com poucos recursos financeiros e escasso horário eleitoral. As eleições consolidaram a eleição do presidente e de seus filhos, um deputado federal e outro senador. Na onda bolsonarista, o PSL elegeu diversos representantes e, com isso, passou a ter direito em 2020 a fundos milionários e, a partir daí, a família Bolsonaro exigiu o controle do partido, mas foi obstada pela sua cúpula. Agora, a família tenta criar o seu partido, o Aliança pelo Brasil.
Outro deslize recente, foi quando Bolsonaro chamou de “pirralha” a ativista sueca, Greta Thunberg, de 16 anos (eleita pessoa do ano pela Revista Time), por ter afirmado estarem os indíos sendo assassinados no Brasil por protegerem as florestas. Dados preliminares apontam recorde de mortes de índios em 2019.
Em outra mancada, Bolsonaro fez unilateralmente “juras de amor” ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o qual agora ameaça tributar o aço e alumínio do Brasil, com a alegação de termos desvalorizado o dólar para aumentar a competitividade dos nossos produtos agrícolas.
Infelizmente, Bolsonaro mostra o pior do presidencialismo brasileiro e apresenta um presidencialismo do desconforto, do desleixo, da desigualdade, do desrespeito, da intimidação, tudo para conseguir mais aglutinação dos seus seguidores nas redes sociais.