A política brasileira é feita por estratégias antigas para conseguir votos.
Em todos os níveis (federal, estadual e municipal), temos a fabricação artificial de antagonismos entre os dois principais candidatos, com vistas a polarizar a eleição em torno de seus nomes e de repelir o aparecimento de novos candidatos. Essa tática atende os seus interesses por perpetuar seus nomes no cenário por décadas, com revezamento no poder.
As eleições presidenciais de 2022 já tem polaridade entre os pré-candidatos Jair Bolsonaro e Lula, com cenas de acusações mútuas e os demais candidatos tentam retirar o favoritismo deles.
Nessa polaridade, no dia 23.02, Bolsonaro tentou demonizar a figura do candidato Lula, na CEO Conference 2022, organizada pelo Banco BTG Pactual: “O que os senhores acham de nós revogarmos a autonomia do Banco Central, de revogarmos a reforma trabalhista, a reforma da Previdência, retornar o imposto sindical, reestatizar as empresas que foram desestatizadas, acabar com o teto de gastos, o governo começar a interferir nos preços da Petrobras e da energia?”.
A realidade é que Bolsonaro já fez no seu atual mandato tudo o que diz que Lula fará. Furou o teto de gastos, tornou-se um presidente isolado no cenário internacional, atacou instituições democráticas (STF, Congresso, etc.), não promoveu a privatização, não fez as reformas administrativas e tributárias, foi um fracasso no combate à pandemia do coronavírus. Por sua vez, é verdade Lula ter afirmado que, caso eleito, pretende rever a reforma trabalhista e da Previdência, extinguir o teto de gastos e pretende retirar a dolarização dos preços dos combustíveis.
No poder os governantes fazem tudo pela governabilidade, acomodam interesses e fazem, inclusive, ações contra os seus princípios, como o fato de Bolsonaro ter se aliado ao Centrão, após ter defendido que iria fazer uma política diferente, sem o “toma lá dá cá”, ou o fato de o primeiro mandato da presidência de Lula ter ocorrido o pagamento a congressistas da base de apoio (mensalão), composta em sua maioria por membros do Centrão, apesar de seu partido ser historicamente um combatente da corrupção.
Esse teatral embate político leva o povo a acreditar em uma briga real, mas é apenas uma disputa ocasional e frágil.
Atingido o objetivo, pode-se no futuro ter até uma união dos supostos rivais, como a pretendida pelo ex-presidente Lula, com proposta para Geraldo Alckmin ser candidato a vice-presidente em sua chapa, depois de eles terem em 2006 polarizado as eleições presidenciais, com disputa acirrada e acusações mútuas. Agora mostram união para se candidatarem na mesma chapa, sob a justificativa da necessidade de se aliarem para vencer Bolsonaro.
O eleitor deve se precaver contra essas rivalidades convenientes e artificiais e votar, mais racionalmente possível, no candidato que atenda aos seus anseios.