No enfrentamento do desafio de desindustrialização que assola o Brasil, no dia 22.01, o governo federal lançou a Nova Indústria Brasil (NIB), uma iniciativa com metas para a economia e soberania nacional.
Apesar das críticas e indicação de melhorias do plano, não podemos deixar de reconhecer seus ganhos, pois isto significaria perpetuar o definhamento da indústria brasileira, proporcionando apenas ganhos aos importadores e aos países interessados em exportar seus produtos para o Brasil. Além do mais, a necessidade de uma indústria robusta é clara, com a promessa de produtos de alto valor agregado, mão de obra qualificada, maior arrecadação, caminho para a autossuficiência para, dessa forma, tornar a nossa economia mais robusta e resiliente.
Para os não convencidos da necessidade de adotar políticas públicas voltadas para a indústria, faço o convite de visitarem os centros industriais brasileiros e testemunharem o ar atual de decadência.
Nossa indústria, que já rivalizou com a China, agora precisa ser reerguida, pois enquanto o parque industrial chinês cresceu exponencialmente em qualidade e quantidade, o brasileiro minguou.
O apoio do setor público é crucial para os empresários privados atingirem as metas dos setores apontados como prioritários.
Na agroindústria a meta é aumentar para 70% os estabelecimentos de agricultura familiar mecanizados (atualmente em 18%) e garantir que 95% dessas máquinas sejam produzidas no país. Além disso, deve desenvolver equipamentos para agricultura de precisão, máquinas agrícolas para produção em larga escala e otimizar a produção da agricultura familiar para alimentos saudáveis.
A saúde tem como meta elevar a produção nacional de medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos de 42% para 70%, visando melhorar o acesso da população à saúde.
Na missão de ter bem-estar nas cidades temos metas de contribuir para reduzir em 20% o tempo de deslocamento das pessoas de casa para o trabalho. Também deve-se aumentar para 74% a participação brasileira na cadeia da indústria do transporte público sustentável.
A missão digital tem como meta digitalizar 90% das empresas industriais brasileiras (hoje em 23,5%) e triplicar a participação nacional nos segmentos de novas tecnologias.
Para a missão de bioeconomia a meta é ampliar em 50% a participação dos biocombustíveis na matriz energética de transportes, reduzir em 30% as emissões de carbono da indústria e impulsionar a produção de bioenergia e equipamentos para geração de energia renovável.
A defesa tem como meta produzir 50% das tecnologias críticas para fortalecer a soberania nacional, desenvolvendo energia nuclear, sistemas de comunicação e sensoriamento, sistemas de propulsão e veículos autônomos e remotamente controlados.
É imperativo recordar que grandes empresas privadas nacionais, como a Vale, as teles e as hidrelétricas, tiveram origens em investimentos e apoio público.
Este plano pode até ser melhorado, mas foi a melhor notícia dos últimos anos para a indústria nacional.