O ditado antigo “homem prevenido vale por dois” mostra a importância da sociedade adotar ações preventivas para mitigar riscos, identificar gargalos e adotar ações para saná-los, antes que causem um grande prejuízo e tornem a sociedade frágil.
Infelizmente a maioria das pessoas, das empresas e dos entes públicos administram o dia-a-dia sem enfrentar suas fragilidades, sob diversos argumentos, como “isso sempre foi assim”, “isso nunca aconteceu”, “bobagem”, “esquenta a cabeça não”, “você está vendo problemas demais”, etc.
A pandemia mostrou a nossa fragilidade sanitária e a dependência da China, maior produtor mundial de máscaras, de insumos para vacinas, de aparelhos hospitalares (respiradouros, etc.).
Além disso, a pandemia desarticulou a cadeia logística mundial e gerou a falta de insumos para a produção industrial, principalmente de semicondutores, com paradas frequentes da indústria automotiva.
Por sua vez, a pauta de exportações brasileiras mostra diversas vulnerabilidades, como ser composta por 70% de commodities (agronegócio, minérios), produto primário e sem valor agregado, e de ter na China o seu maior comprador, cerca de 30% de nossas exportações, ficando dependente de suas estratégias. Qualquer queda dos preços das commodities ou interrupção das compras chinesas afetará diretamente o nosso resultado da balança comercial.
A invasão da Ucrânia pela Rússia mostrou mais fragilidades nacionais, como a dependência da importação de fertilizantes e defensivos agrícolas, onde importamos 80% dos fertilizantes da Rússia e de Belarus, a importação de 80% do trigo consumido no país da Argentina e incapacidade de produzir toda a gasolina consumida no país.
Todas essas fragilidades mostram nossas fraquezas, mas também são oportunidades que deveriam ser aproveitadas pelos gestores públicos, com a adoção de um plano nacional de auto suficiência para setores específicos, como incentivos para a produção de equipamentos hospitalares e semicondutores, como acrescentar valor nos produtos primários exportados e diversificar os países compradores dos nossos produtos, como incentivar a produção de fertilizantes e defensivos agrícolas para atender a demanda do agronegócio, como a Petrobras adotar ações imediatas para conseguirmos produzir gasolina e diesel para atender toda a demanda interna, como incentivos e apoio da Embrapa para o agronegócio aumentar a produção interna de trigo.
Pode parecer banal dizer coisas óbvias, mas isso é o mínimo que se espera de um gestor público dinâmico e ativo em trabalhar proativamente para o bem do povo, evitando problemas e minimizando riscos, pois não precisamos aguardar crises acontecerem (pandemia, guerras, etc.) e, a partir daí, passar a adotar ações reparadoras para amenizar o sofrimento do povo, como as vacilantes ações para diminuir os preços dos derivados do petróleo e do gás.