As eleições municipais realizadas em 06.10 deste ano trouxeram à tona um cenário político marcado pela diversidade e mudanças, com resultados pulverizados e avanços da direita.
Um ponto positivo foi a maturidade democrática demonstrada pelos candidatos, que, de maneira geral, aceitaram tanto as vitórias quanto as derrotas sem recorrer a ataques ao sistema eleitoral. Mesmo em um contexto fragmentado, a direita consolidou avanços em várias regiões do país. Já a esquerda, que atualmente ocupa o cargo mais alto da República, perdeu espaço, embora a análise dessa retração seja mais complexa do que parece à primeira vista, pois ocorre o desgaste natural de quem está no poder, independentemente da ideologia, pois sofrem desgaste com o tempo, tornando-se alvo fácil de críticas e insatisfação popular. A oposição, por sua vez, está livre das pressões administrativas, pode se posicionar como uma alternativa promissora, oferecendo esperança de mudança e ganhando a confiança do eleitorado.
Outro fenômeno interessante foi a entrada de novos nomes na política, onde muitos, antes críticos da classe política, agora buscam ocupar o poder. No entanto, ao assumir cargos públicos, esses novatos enfrentarão as mesmas contradições e dificuldades que outrora criticavam, descobrindo a complexidade da gestão pública e as limitações estruturais do sistema.
No Rio Grande do Sul, prefeitos que enfrentaram efetivamente as chuvas intensas de maio deste ano, foram bem-sucedidos em suas campanhas de reeleição, com aprovação a ações eficazes diante das calamidades.
No maior colégio eleitoral do país, São Paulo, a campanha foi marcada por episódios de violência e polêmicas. No fim, Ricardo Nunes e Boulos avançaram para o segundo turno, enquanto o novato Marçal, envolvido em controvérsias, enfrenta a possibilidade de inelegibilidade devido a diversos processos na Justiça Eleitoral.
Em Belo Horizonte, Bruno Engler e Fuad Noman avançaram ao segundo turno, enquanto Mauro Tramonte, líder nas pesquisas durante todo o período eleitoral, ficou em terceiro lugar. Engler, apesar de ser um crítico dos políticos tradicionais, construiu sua carreira exclusivamente na política.
Outro fato marcante foi o declínio do PSDB, partido que outrora dominava a política. Mesmo em sua tradicional base paulista, o partido obteve seu pior desempenho histórico.
Os episódios de violência e agressões físicas durante a campanha serão avaliados pela Justiça Eleitoral, e os envolvidos poderão ser penalizados. No entanto, além da ação judicial, os partidos deveriam adotar medidas para desencorajar comportamentos violentos e antiéticos entre seus filiados.
As eleições de 2024 deixam claro que, apesar de novas lideranças estarem surgindo, muitas das velhas dinastias políticas ainda têm forte presença no cenário nacional. O Brasil enfrenta o desafio de equilibrar a renovação política com a necessidade de alternância no poder e a promoção de ideias verdadeiramente novas.