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O Presidente digital alaranjou

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O historiador e escritor, Luiz Antonio Simas, em entrevista à Revista Carta Capital (edição 1044, de 06.03.2019, págs. 36-37), quando indagado se o Carnaval é uma festa a alienar ou politizar, disse: “Tem a fama de ser uma festa de alienação, mas sempre foi muito politizada… Houve carnavais, ainda nas vésperas da Abolição da Escravatura, em que a questão abolicionista estava presente como um tema forte nas ruas.” Logo a seguir, questionado o que se pode esperar dos blocos este ano com relação aos protestos políticos, respondeu: “O governo que aí está é um alvo fácil, porque afronta o próprio espírito carnavalesco. É um prato feito para o Carnaval cair em cima na base da galhofa.

A reportagem, feita para publicação antes do início do Carnaval, estava correta e tivemos diversos protestos, inclusive em Belo Horizonte, que teve um dos maiores carnavais de sua história.

No dia 05.03.2019, o Bloco do Queixinho apresentou protesto contra Bolsonaro e fez uma cena emocionante em favor da diversidade, quando toda a bateria abaixou para desfilar uma adolescente, de 14 anos, a qual tem dificuldade de locomoção.

No restante do país, também tivemos manifestações contra políticos e de apoio à diversidade, como o desfile da Escola de Samba Mangueira, no dia 04.03, no Rio, quando homenageou os heróis da resistência popular, como a ex-vereadora Marielle Franco, e apresentou a bandeira nacional com o lema reescrito para “índios, negros e pobres”, em reverência a estes segmentos da sociedade.

O Presidente “alaranjou” de raiva das críticas, xingamentos e ironias à sua forma de governar e, no dia 05.03, Jair Bolsonaro, postou em sua conta oficial do Twitter, vídeo com cenas obscenas, para depreciar o Carnaval, quando afirmou: “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conclusões”. A seguir muitos se manifestaram dando razão ao Presidente e outros criticando-o.

Na verdade, a festa do Carnaval sempre foi da diversidade, mostrando pessoas com índoles e atitudes diferentes, difíceis de serem repetidas nos outros dias do ano e todos, inclusive o Presidente, têm de aceitar e relevar certos excessos e não dar a eles a amplitude e publicidade maior do que o ato em si, mesmo porque a maioria dos milhões de foliões se comportam de forma pacífica e ordeira.

Não se espera de um Presidente fazer a propalação de atos obscenos e, ao agir desta forma, somente faz publicidade negativa do Brasil e não apresenta o reverso, onde ocorrem milhares de cenas bonitas.

Agora, sem fazer advinhações, nos próximos carnavais continuaremos a ter protestos, tendo como principais alvos os políticos no poder.

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