O presidente da República, Jair Bolsonaro, tem se esmerado em atacar a oposição. Considera os opositores inimigos, demonstra não ter espírito democrático para conviver com críticas e somente aceita aplausos e bajulações.
No dia 27.03.2022 o presidente discursou em evento de pré-campanha, em Brasília: “Não é uma luta da esquerda contra a direita. É uma luta do bem contra o mal”. Essa fala foi feita justamente no dia do Festival Lollapalooza, onde ele foi criticado e houve bordões de “fora Bolsonaro” entoados pelos artistas e pela plateia.
Entretanto, Bolsonaro não pode ser o representante do bem, pois tem protagonizado eventos horrendos inadmissíveis.
Na campanha eleitoral de 2018, ele já mostrava ter um tom agressivo ao tratar os adversários, como ter afirmado em 03.09.2018, no Acre: “Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre, hein?”.
Em seu governo, a imprensa e os demais opositores (figuras públicas, políticos) têm sido atacados.
Na pandemia, ele refutou medidas de isolamento social adotadas pelos governadores e prefeitos e descumpriu as regras, defendeu o isolamento vertical, apenas das pessoas do grupo de risco. Desrespeitou as práticas da medicina, quando disse terem as máscaras “eficácia quase nula” e ao indicar, sem comprovação, ser eficiente o uso da hidroxicloroquina contra o coronavírus.
No dia 04.03.2020, na saída do Palácio da Alvorada, fez ataques aos meios de comunicação ao apresentar um ator vestido de presidente para distribuir bananas aos jornalistas.
No dia 23.08.2020, ele foi perguntado sobre depósitos feitos por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e respondeu: “Vontade de encher a tua boca de porrada”.
Em fala tendenciosa de estar do lado do bem, Bolsonaro está acompanhado por seus apoiadores, como Valdemar da Costa Neto, Fernando Collor de Mello, os pastores participantes do gabinete do MEC, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, etc. Ninguém é perfeito, mas pior do que ele se achar do lado do bem, é ele ser um adorador de torturadores e de ditaduras.
A fala de Bolsonaro foi indigesta, a mentira não lhe fez bem e no dia seguinte, 28.03, foi internado com problemas no abdômen.
O poder é desgastante, para o titular e sua família, seja quem for que estiver no poder. O governo é questionado diariamente, confrontado sobre suas contradições, comparado a colaboradores que erraram ou tiveram desvios de conduta. O resultado é essa exposição ter a capacidade de causar incômodo para os políticos no poder e eles devem adotar formas para minimizar esse desgaste.
Além disso, a política é feita por pessoas, todas imperfeitas e normais, com qualidades e defeitos. É impossível classificar os políticos em alas estanques (do bem e do mal). A política é importante ser exercida em prol do bem do povo.