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Os investidores estão preocupados com o mundo estar sucumbindo a um fenômeno chamado de “japonização”, representado por 30 anos de luta do Japão contra a deflação (declínio de preços), com crescimento econômico irrisório, adoção de estímulos monetários sem resultado, onde taxas de juros baixas não geraram crescimento econômico.
Não só a Europa, mas também os Estados Unidos podem vir a ter recessão, deflação e juros baixos.
Para os EUA, temos dois cenários futuros possíveis.
No primeiro, a guerra comercial com a China pode acarretar o aumento do custo dos produtos nos EUA, com maior inflação e o Banco Central, Fed, intervirá para incrementar os juros e debelar um possível surto inflacionário, com alento para os investidores em renda fixa.
O segundo, ter-se-ia uma recessão nos EUA, onde o Fed teria de diminuir os juros. Nesse quadro, com juros menores, inflação decrescente e recessão, os EUA teriam uma japonização.
Diferente dos EUA, onde se tem atualmente taxas de juros atrativas, com 2,5% ao ano, temos no Japão e na Europa taxas de juros negativas e deflação de preços.
A deflação de preços para o mercado consumidor gera o efeito inverso da inflação. Os consumidores e investidores adiam suas decisões de consumo e de investimento em bens duráveis, pois no futuro comprarão os mesmos bens por preços menores. Esse fato causa um maior entesouramento e uma estagnação na economia, com decaída nas vendas e nas arrecadações, e todas intervenções monetárias (menores juros, maior volume de empréstimos) são inócuas.
As taxas de juros negativas e a recessão econômica, com a diminuição de taxas de retornos de investimentos em renda fixa e variável, geram lucros insuficientes para remunerar os investidores de longo prazo, como os fundos de pensão, e causam no futuro dificuldades para arcar com o pagamento de aposentadorias.
Os Bancos Centrais detém autonomia e, com isso, evitam suas decisões satisfazerem interesses eleitorais de curto prazo. Entretanto, mesmo com a garantia legal de autonomia, sofrem pressões dos políticos para rebaixar as taxas de juros para incentivar a economia, principalmente os países onde os Bancos Centrais mantiveram a inflação baixa.
Níveis baixos de inflação são benéficos, mas a deflação é perniciosa para toda a economia e deve ser combatida. A junção de deflação com recessão é perigosa e causam espiral negativa e, nessa situação, os mecanismos monetários (menores juros, maior volume de crédito) não fazem a economia encontrar o desenvolvimento.
O Brasil tem a inflação controlada e não se vislumbra deflação. Temos o exemplo da Argentina, onde o maior fracasso de Macri foi ter sido condescendente com a inflação. O Banco Central brasileiro necessita ter autonomia legal para continuar a deter um processo inflacionário e também precisa agregar às suas metas o estímulo ao crescimento e obstar a “japonização” da economia brasileira, com a adoção de medidas para prevenir recessão e deflação.