Nos últimos meses, o Brasil foi devastado por uma onda de incêndios florestais que se espalharam por diversas regiões, desde a Amazônia até o Pantanal e o interior de São Paulo. O fenômeno, agravado pelas altas temperaturas e pela seca prolongada, reflete as falhas na gestão ambiental e expõe a insuficiência das políticas públicas para lidar com a crise.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, os órgãos de fiscalização ambiental sofreram sucessivos cortes e as políticas de proteção ao meio ambiente foram severamente enfraquecidas. Em 2019, o então presidente recusou uma ajuda de 20 milhões de dólares oferecida pelos países do G7 para o combate aos incêndios na Amazônia. Já em 2020, ao discursar na Assembleia Geral da ONU, Bolsonaro culpou indígenas e populações tradicionais pelos incêndios, alegando que os focos de queimada estavam sendo combatidos com rigor, enquanto, na realidade, grileiros, desmatadores e incendiários agiam sem supervisão.
A mudança de governo trouxe um novo discurso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu restaurar a política ambiental e priorizar o desenvolvimento sustentável. No entanto, a crise de incêndios de 2024 expôs deficiências na implementação prática dessas medidas e as previsões de seca e de risco de incêndios não foram tratadas com a devida preparação, e a resposta do governo federal às queimadas tem sido lenta e ineficaz.
Enquanto líderes dos três poderes firmavam um pacto ambiental em Brasília, as chamas continuavam a consumir vastas áreas do território nacional. Embora Lula tenha criticado os efeitos das políticas ambientais de seu antecessor, as falhas na gestão atual para combater os incêndios têm sido alvo de duras críticas.
A gravidade da situação é evidenciada pelos dados recentes do Map Biomas, que apontam a perda de 13% das áreas naturais do Brasil entre 1985 e 2023. Desses 110 milhões de hectares de vegetação nativa destruídos, a Amazônia e o Cerrado foram os biomas mais afetados. Embora o aquecimento global tenha um papel importante na proliferação das queimadas, grande parte dos incêndios é resultado de atividades humanas.
Além dos prejuízos ambientais, as perdas econômicas são substanciais. Estima-se que o setor agropecuário tenha sofrido um impacto bilionário, especialmente em São Paulo, onde as queimadas aumentaram em 915% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para reverter esse cenário, não bastam apenas discursos e são necessárias ações efetivas. O governo federal ir além do discurso e ser mais efetivo para reforçar os órgãos de fiscalização, punir os responsáveis pelos incêndios, investir em ações preventivas, fazer um plano nacional de enfrentamento às mudanças climáticas, assim como campanhas de conscientização para que a população adote práticas mais sustentáveis.
Com o Brasil em chamas, a responsabilidade de agir é urgente, e a ação precisa ser coordenada e imediata, para salvar o que resta dos biomas brasileiros e evitar um colapso ainda maior.