A Ivermectina, um dos remédios indicados por Jair Bolsonaro para o tratamento precoce contra o Covid-19, teve o seu uso desaconselhado para o tratamento ou prevenção contra o coronavírus, pela Food and Drug Administration (FDA), agência de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, em artigo, em formato de FAQ (perguntas frequentes), publicado no seu site, endereço eletrônico: https://www.fda.gov/animal-veterinary/product-safety-information/faq-covid-19-and-ivermectin-intended-animals.
A FDA afirmou ele não estar aprovado e não existirem pedidos para o seu uso emergencial para a prevenção ou tratamento da Covid-19.
A seguir, informou estar a Ivermectina aprovada nos EUA para o tratamento de alguns vermes parasitas e algumas formulações para tratamento de parasitas externos, como piolhos e doenças da pele. Além disso, o remédio é aprovado para uso animal para prevenção de dirofilariose, em altas dosagens, mas o uso desse produto veterinário por humanos pode causar sérios danos.
A automedicação e, por isso, o uso desregrado da Ivermectina pode vir a causar efeitos colaterais, como erupção cutânea, náusea, vômito, diarreia, dor de estômago, inchaço facial ou dos membros, eventos adversos neurológicos (tonturas, convulsões, confusão), queda repentina da pressão arterial, erupção cutânea grave potencialmente exigindo hospitalização e lesão hepática (hepatite).
Os EUA têm uma forte campanha de vacinação e os não vacinados têm sido os mais atingidos pelas atuais infecções e mortes pelo coronavírus.
Por isso, muitas dessas pessoas têm se automedicado com a ingestão da Ivermectina como remédio para prevenir o coronavírus e, quando não encontram em farmácias convencionais, adquirem a versão indicada para animais.
O uso descontrolado da Ivermectina tem causado intoxicações e até gerado a falta do medicamento para o uso animal.
A onda negacionista, criada por pessoas com ideias dissociadas da ciência e da razão, interessadas em colocar em prática suas opiniões desatreladas a qualquer lógica do conhecimento humano, tem gerado embaraços e perdas de vidas, com a interrupção precoce de vidas.
Exemplo disso é muitos segmentos da população americana se negam a receber a vacina, solução indicada pela ciência, e, sob influência política, adotam soluções não comprovadas cientificamente, como o uso da Ivermectina para prevenir ou tratar contra o coronavírus.
Esse modo é repetido, inclusive no Brasil, onde Jair Bolsonaro desestimulou a vacinação e atrasou a aquisição de vacinas, indicou o tratamento precoce e medicamentos sem eficácia comprovada (hidroxicloroquina, ivermectina, etc.), desacreditou o uso de máscaras, fez retórica contrária ao isolamento social. Da mesma forma que parte dos EUA, ele politizou o combate da pandemia do coronavírus e não aceitou as orientações científicas, comprovadas repetidamente sob certas condições.