Os governantes são eleitos para servir o povo e atender aos seus anseios de pleno funcionamento e melhoria dos serviços públicos.
Os que, após sua eleição, não atendem o que o povo espera, cometem um verdadeiro “estelionato eleitoral”, pois ardilosamente chegaram ao cargo almejado fazendo promessas irrealizáveis, muitas vezes não contaram a completa verdade de como pretendiam alcançar os seus objetivos e realizam um mandato com execução diferente de suas promessas na campanha.
Quando vemos os governantes reclamando que não podem cumprir as promessas de campanha, devido à falta de recursos e ventilam a possibilidade de aumentar e criar novos impostos, vemos neste momento se mostrar a longa distância entre os políticos governantes e o povo governado, entre o político candidato e o político eleito, entre o “tapinha” nas costas para pedir o voto e o empurrão nas costas do cidadão quando este reivindica a realização do seu direito de melhorias públicas.
O governante seja os prefeitos, governadores ou mesmo o presidente, não podem alegar desconhecimento das dificuldades do poder público na administração das despesas e receitas públicas, pois já sabiam de antemão delas e mesmo assim fizeram promessas mirabolantes, se apresentando como os “salvadores da pátria” e entabulando planos, muitas vezes irrealizáveis e, a grande maioria, dependentes de maior arrecadação de impostos.
A crise econômica, financeira e política pela qual todo o país passa atualmente, afeta todos os poderes e desnuda o despreparo do administrador público para fazer verdadeiros “malabarismos” para sobreviver com menos arrecadação.
Assim, para cumprir suas promessas irrealizáveis no atual quadro, os políticos apelam para “seu povo” pagar mais impostos e se afastam daquele candidato que pediu votos.
Enquanto isto o povo para fazer frente à atual crise diminui gastos e usa de diversos artifícios para sobreviver, como comprar ½ litro de leite ao invés de 1 litro, diminuir o consumo de carne ou substituir por outro tipo mais barato, andar mais a pé e menos de carro, procurar pagar as suas contas em dia para não ter de arcar com juros, ir para o supermercado com a lista pronta dos itens a comprar, tomar o banho frio ao invés do morno, mandar consertar a roupa ao invés de comprar uma nova, etc.
E é justamente nesta crise que o povo precisa mais do Estado, com melhores serviços públicos, pois o cidadão ficou sem emprego ou teve a sua renda diminuída. Assim, o contribuinte tira os filhos da escola particular e matricula-os em uma escola pública, descontrata o plano de saúde e utiliza o sistema único de saúde, cancela a matrícula na academia e usa os aparelhos de ginástica públicos, e, no final, não espera ter em seu orçamento nenhum gasto a mais, inclusive vir a arcar com mais impostos.
Neste quadro está formado o conflito, com o Estado querendo arrecadar mais impostos e o povo não tendo como arcar o aludido aumento de preços de qualquer produto.
Na verdade, o Estado cobra impostos sobre todos os bens, seja imóvel, veículo, seguro em geral, empréstimo, produto de consumo duráveis e não duráveis, serviços prestados. O imposto pode até ser considerado uma classe de aluguel, onde o contribuinte tem a posse e o Estado cobra periodicamente um valor do bem, como por exemplo, o veículo automotor tem alíquota de 4% ao ano de imposto e em 3 anos um veículo terá pago 12% ao Estado, além disto, o proprietário tem que pagar pedágios ou mesmo trafegar em rodovias em péssimas condições. Assim, o Estado tira com uma mão e não entrega em serviços com a outra.
Aliás, em tempo da propalada reforma da previdência social, o Estado arrecada compulsoriamente a contribuição social, mas o trabalhador no momento de requerer a aposentadoria recebe a notícia que terá de trabalhar mais 5 ou 10 anos, e quando consegue aposentar percebe que contribuiu sobre o teto da previdência e receberá um valor ínfimo de aposentadoria. Melhor seria se o trabalhador tivesse contribuído para o sistema de previdência, com capitalização, onde o capital total acumulado lhe proporcionaria uma remuneração ao final de sua vida laboral.
Infelizmente o que vemos atualmente no Brasil são os políticos agir para aumentar impostos, adiar a realização de direitos e tomar decisões contrárias ao desejo do povo, em total descompasso de suas promessas eleitorais.