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Economia Brasileira: A média mede e mente

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A publicação no dia 01.06 do crescimento de 1,2% da economia brasileira, na comparação trimestral, foi comemorada pelo Ministro da Economia e pelo presidente da República.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, em seu Twitter, divulgou a mensagem: “Em paralelo, nosso PIB superou hoje as expectativas para o 1º trimestre, crescendo 1,2% e voltando ao ritmo otimista do período pré-pandemia. Resultado de um trabalho intenso que priorizou, além do combate à doença, proteger empregos e garantir a dignidade dos brasileiros”.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro foi gerado pelo crescimento dos setores agropecuários e mineração, devido à conjunção de desvalorização do dólar, aumento da demanda e das cotações dos produtos.

Entretanto, o índice de crescimento do PIB deve ser analisado com cautela, pois reflete a média e, por isso, deve ser visto no contexto da realidade econômica e social nacional.

De forma geral, a média mede, mente e não mostra as desigualdades da sociedade.

Um observador de duas pessoas (o bilionário Bill Gates e um mendigo) concluiria ter os dois uma média de renda e de patrimônio bilionário. A conclusão é correta, mas não demonstra ser os dois diferentes, onde um é bilionário independente e o outro é um mendigo dependente de ajuda social e econômica.

Da mesma forma, o aumento do PIB não gerou necessariamente melhoria das condições de vida geral do povo. Foi detectado recuo de 1,7% no consumo das famílias, causado pelo desemprego e pela inflação, com o preço alto no mercado interno de alimentos (arroz, feijão, soja, açúcar, etc.) e de insumos (ferro, aço, combustíveis, etc.), devido ao recorde das cotações das commodities do agronegócio e de mineração, com produtor atento à precificação dos produtos no mercado interno e externo, livre para vender onde encontrar o melhor preço.

O índice mostra os setores de agronegócio e de mineração com recordes de faturamento, mas a realidade é desesperadora nos setores que sofrem com a pandemia, como o de todos os ramos de serviço (bares e restaurantes, salão de beleza, etc.) e o pequeno negócio, com mais dificuldade para se adaptar ao comércio eletrônico.

Inquieta não ver empatia nos analistas e nos políticos para separar situações similares à do mendigo e do bilionário. Temos mineradoras e grandes exportadoras de alimentos a bater recordes de faturamento, mas temos também bares e restaurantes endividados, se esforçando para estarem ainda funcionando quando ocorrer a regularização das atividades econômicas e sociais.

Os resultados positivos do PIB não podem gerar no governo uma atitude apática, pois é preciso sanar o desemprego, a desindustrialização, a inflação, o endividamento, a necessidade de reformas (tributária, administrativa) e, principalmente, ter plano especial para os mais afetados pela pandemia, como o setor de serviços e as pequenas empresas.

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