Na virada para o século atual, o mundo enfrentou uma possível catástrofe tecnológica conhecida como “Bug do Milênio”. A preocupação surgiu devido à forma como muitos sistemas de computador armazenavam datas, usando apenas dois dígitos para representar o ano. Isso significava que, ao chegar o ano 2000, os computadores poderiam interpretar “00” como 1900, potencialmente causando falhas em sistemas que dependiam de cálculos de datas.
Governos, empresas e organizações em todo o mundo realizaram uma série de preparativos para evitar possíveis desastres: auditorias de sistemas para identificar onde as datas com dois dígitos estavam sendo usadas; contratação de programadores para revisar e modificar milhões de linhas de código; testes para garantir que as alterações foram feitas corretamente; desenvolvimento de planos de emergência para garantir a continuidade dos negócios; etc.
Na meia-noite de 31.12.1999 milhares de profissionais de tecnologia trabalharam para atuar em qualquer eventualidade. Graças aos extensos preparativos, a maioria dos sistemas funcionou corretamente, com apenas alguns incidentes menores e rapidamente resolvidos.
Entretanto, 24 anos depois, no dia 19.07.2024 o mundo experimentou os efeitos de um novo “Bug do Milênio“, causado por falha na atualização de software da empresa de segurança cibernética CrowdStrike, com paralisação do software Windows da Microsoft. Milhares de pessoas no mundo sofreram prejuízos com a interrupção de serviços prestados por empresas aéreas, de transportes, de mídia e de telecomunicações.
A falha no software da CrowdStrike exigiu intervenção manual de correção e empresas com centenas ou milhares de computadores enfrentaram um enorme desafio logístico e operacional. Muitos dos servidores que poderiam conter as informações necessárias para a recuperação estavam presos em ciclos de travamentos e reinicializações.
Esse apagão global realçou a vulnerabilidade dos sistemas interconectados da economia moderna, pois uma falha de um único software gerou problemas em várias indústrias e empresas.
A recuperação custou ao mundo milhares de horas de trabalho e bilhões de dólares. Este incidente serviu como um lembrete poderoso da necessidade de investir em soluções de backup robustas e em planos de contingência para mitigar riscos futuros.
Dessa forma, esperávamos um bug em 31.12.1999 e, graças à prevenção, ele não ocorreu, mas, 24 anos depois, enfrentamos o maior apagão global da história. Do Bug do Milênio ao apagão global de 2024, a história tecnológica mostra a importância da preparação, manutenção contínua e atualização dos sistemas de TI. Enquanto o Bug do Milênio foi amplamente evitado devido aos preparativos intensivos, o incidente de 19.07.2024 ressaltou que a vigilância constante, a existência de sistemas de informática redundantes e a capacidade de resposta rápida são essenciais para evitar desastres tecnológicos que podem ter impactos profundos em escala global.