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Casamento político é uma união instável, cheio de interesse e sem amor

Pense hipoteticamente em um casamento arranjado, para atender interesses políticos ou econômicos (próprios ou alheios), onde os noivos, sem se amarem e sem disposição para se casar, aceitam as condições acordadas.

O Brasil atual vive arranjos políticos nesse formato, com o afã de conseguir resultados eleitorais em 2022.

O ex-presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), candidato e líder das pesquisas eleitorais para presidente em 2022, propõe uma possível parceria com Geraldo Alckmin, para, após ele sair do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e ingressar no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), ser o candidato a vice-presidente na chapa de Lula.

Historicamente Lula e Geraldo Alckmin, pelo PT e PSDB, disputaram as eleições presidenciais de 2006, vencida por Lula, apesar do escândalo do Mensalão. Foi uma disputa acirrada, com acusações mútuas e desgastantes.

Apesar dos desgastes das lutas políticas, os dois poderão em 2022 selar uma união para disputar as eleições, mostrando uma chapa forte, com  pauta no campo social e de gestão pública eficiente.

A outra aliança improvável até tempos atrás ocorreu dia 30.11. Jair Bolsonaro, após fracassar na criação do seu partido, Aliança pelo Brasil, filiou-se ao Partido Liberal (PL), partido do centrão comandado por Valdemar Costa Neto (condenado no Mensalão).

Ele será candidato a presidente em 2022 pelo PL e terá como vice um nome do Partido Progressista (PP).

Bolsonaro foi eleito em 2018 com uma pauta antipolítica, com discurso de fazer um governo diferente, como o que fez em 14.08.2018: “Um governo sem toma lá dá cá, sem acordos espúrios. Um governo formado por pessoas que tenham compromisso com o Brasil e com os brasileiros.

Pressionado por pedidos de impeachment protocolados na Câmara Federal, Bolsonaro fez aliança com o centrão para manter a governabilidade, o poder e viabilizar sua chegada às eleições de 2022.

A união de Bolsonaro com o Centrão, a nomeação de Ciro Nogueira para a Casa Civil, a eleição de Arthur Lira para a presidência da Câmara Federal, gerou base de apoio no Congresso e a governabilidade voltou a ser garantida pela política do “toma lá dá cá” às custas do dinheiro público (cargos públicos, emendas individuais e de relator, etc.).

A festa de filiação do PL, no dia 30.11, foi pautada por elogios à união e somente faltou o General Heleno, amigo de Bolsonaro, para repetir o refrão que entoou na Convenção Partidária do PSL, em julho de 2018: “Se gritar pega centrão, não fica um, meu irmão”.

No final de 2022, logo após as eleições, esses casamentos terminarão a fase de “paz e amor”. Ocorrerá falta de fidelidade, acusações mútuas, intrigas, ciúmes, desfiliações, pois essas uniões são imediatas e despidas de bases sólidas, cheias de interesses políticos e sem alicerces mínimos para se perpetuar por longo tempo.

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