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Barbara Heliodora

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Foto: Bárbara Heliodora, em óleo sobre tela encontrado nos porões da antiga Fazenda Boa Vista em São Gonçalo do Sapucaí.

 

 

Em tempo de comemorações do dia 21 de abril, data da morte de Tiradentes e por isto escolhida para serem feitas homenagens ao próprio mártir e a todos os demais inconfidentes, é sempre importante lembrarmos a importância das mulheres da época, que de forma direta e indireta apoiaram os membros do movimento.

É neste sentido, que faço uma homenagem simbólica à figura histórica e marcante de Barbara Heliodora.

Barbara Heliodora Guilhermina da Silveira nasceu em São João Del Rei, em 1759. Poetisa e esposa do inconfidente Alvarenga Peixoto, tem a sua vida contada nos livros “Um poema para Bárbara: a história de amor que ajudou a escrever a História do Brasil”, de Monica Sifluentes e “A vida heroica de Barbara Heliodora”, de Antônio Leite. Estes livros mostram diversos momentos da Inconfidência Mineira, inclusive reuniões realizadas na residência do casal retratam Barbara Heliodora como “letrada, apaixonada, revolucionária e companheira”.

Na época, a libertação das 13 (treze) colônias Inglesas da América do Norte e a consequente organização dos Estados Unidos teve na Europa enorme influência e repercussão, até mesmo entre os jovens brasileiros que estudavam em universidades europeias.

A metrópole portuguesa fazia exploração enorme das riquezas do Brasil, gerava a insatisfação do nosso povo com o jugo e causava o sentimento da necessidade de independência. De Minas Gerais era arrebatado o ouro, a empobreciam, em meio à imensidão de suas riquezas, com impostos como o quinto do ouro, que lhe entravava o desenvolvimento, impedia a instalação de indústrias, como a de tecidos.

Além disso, Minas Gerais estava em decadência econômica, a extração de ouro diminuía, os moradores começaram a faltar com o pagamento anual de 100 arrobas de ouro, mas a metrópole mantinha a sua sanha arrecadadora, continuava a exigir o pagamento de pesados impostos. Já em 1765 fora aprovada a derrama (cobrança de impostos atrasados). Em 1789, ano da conspiração, o total em atraso era de 596 arrobas, e Luís Antônio Furtado de Mendonça (Visconde de Barbacena), recebeu ordens de executar uma nova derrama (nova cobrança de impostos atrasados).

Em meio ao descontentamento geral, organizou-se um grupo de moradores de Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto, formado por mineiros, padres, militares e membros da classe média dispostos a deflagrar um movimento de revolta no dia da derrama, dia em que a insatisfação popular estaria bastante efervescente, com ramificações em outros pontos da Capitania.

O projeto da Inconfidência Mineira incluía diversas ações como: a) libertação do Brasil de Portugal; b) criação de uma república, com capital em São João Del Rei; c) adoção de uma nova bandeira, que teria um triângulo no centro com a frase latina “Libertas quae sera tamen”; d) criação de uma universidade em Vila Rica; e) adoção do serviço militar obrigatório; f) incentivo à natalidade; g) instalação de uma casa da moeda; h) fixação do preço do ouro, para regular a economia interna; i) separação entre a Igreja e o Estado; j) abolição da nobreza; k) estímulo à agricultura, à fabricação de tecidos de algodão, forjas para ferro e fábricas de pólvora.

Neste contexto, Barbara Heliodora, foi considerada a Heroína da Inconfidência Mineira e musa do poeta Alvarenga Peixoto, despontando como uma das figuras femininas de maior destaque da época da Inconfidência, por ter influenciado e apoiado decisivamente o seu marido, dentro dos limites de vida das mulheres mineiras, caracterizada geralmente por ser atuante no lar, no comércio e na economia, em uma época de muito preconceito e violência contra as mulheres.

Barbara acalentou o sonho de seu marido de fazer a Inconfidência e, quando este ameaçou fraquejar, foi ela que o reanimou na aventura.

Ousada para a sua época, Bárbara foi poetisa brasileira, ajudou o marido na organização da Inconfidência Mineira, teve uma filha antes do casamento e, após a morte do marido, ainda administrou os negócios da família e educou os 4 filhos.

Nos tempos atuais, movimentos similares ao da Inconfidência Mineira sempre contam com a participação ativa de mulheres, inclusive com posições importantes na liderança, concretizando as conquistas de igualdade de diversos direitos, entre os quais o direito de votar e ser votada.

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