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Foto: José Cruz (https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2018-07/encontro-de-comites-e-mecanismos-de-prevencao-e-combate-tortura-1582312370-9)

Atos de tortura acabaram com a páscoa de muitos brasileiros

No dia 17.04 a jornalista Miriam Leitão, no jornal “O Globo”, revelou áudios das sessões do Superior Tribunal Militar (STM), com gravações de relatos de atos de tortura na ditadura militar (1964-1985).

No dia 19.04, o presidente do STM, ministro Luis Carlos Gomes Mattos​, afirmou as gravações não terem estragado a páscoa de ninguém, serem tendenciosas e tiveram a finalidade de atingir a imagem das forças armadas: “A gente já sabe os motivos, do porquê isso vem acontecendo nesses últimos dias, seguidamente, por várias direções, querendo atingir as Forças Armadas, o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, nós que somos quem cuida da disciplina, da hierarquia. Não temos resposta nenhuma para dar, simplesmente ignoramos uma notícia tendenciosa daquela, que nós sabemos o motivo… Não têm nada para buscar hoje, vão buscar no passado, rebuscar o passado. Só varrem um lado. Não varrem o outro. É sempre assim, já estamos acostumados com isso”.

O presidente do STM foi emotivo e não foi racional em sua análise e manifestação sobre o caso. Tentou defender as forças armadas, mas não conseguiu.

As gravações não são tendenciosas, pois são objetivas e sua publicização tem o objetivo de divulgar as torturas ocorridas na época. Elas não são contra o STM e, pelo contrário, mostram integrantes do STM condenando os atos de tortura.

É insensível a afirmação de as gravações não terem estragado a páscoa de ninguém. Muitas das pessoas torturadas, desaparecidas ou mortas na ditadura militar tiveram sua páscoa estragada, não só delas, mas também de seus familiares.

Repugna na ditadura militar termos agentes públicos, pagos pelos contribuintes, cometido tortura contra o seu povo, fazendo ilegalidades, tornando-se criminosos e, depois, ainda ficaram impunes. Tinham a obrigação de seguir a lei e não seguiram, pois não existia lei autorizando a tortura.

Além disso, o presidente do STM, legítimo representante da classe militar, conservadora e cristã sabe muito bem o significado da páscoa, que é a representação da ressureição de Jesus Cristo, após Cristo ter sofrido os horrores da tortura e da crucificação. Na exegese cristã, cada cidadão torturado é um filho de Cristo torturado.

Os militares devem respostas à nação e, em nome da honra militar, a qual não aceita a covardia e nem a humilhação, as forças armadas deveriam reconhecer terem cometido erros, inclusive quando torturaram brasileiros. Ao final, poderiam afirmar que o Brasil é hoje uma democracia, sem presos políticos, sem possibilidades de novas torturas ocorrerem. Dessa forma, reconhecendo os seus erros, as forças armadas se redimiram em parte.

Da mesma maneira, o presidente do STM deveria, também, defender a instituição e condenar atos individuais, afirmar essas torturas serem indesejáveis e ilegais, que foram feitas por servidores sem a autorização da administração militar.

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