No dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram uma ofensiva militar contra o Irã sob o argumento da necessidade de interromper o desenvolvimento de armas nucleares pelo regime iraniano. Bombardeios atingiram centros de comando do governo e resultaram em dezenas de mortos, entre eles o líder supremo, Ali Khamenei.
A reação iraniana ocorreu em seguida. O país lançou ataques contra alvos em Israel e contra instalações ligadas aos Estados Unidos em países aliados, como bases militares, instalações estratégicas e embaixadas.
Nos mercados internacionais, as cotações do petróleo registraram alta, refletindo o receio de interrupções na oferta global.
No Brasil, a cotação do dólar subiu com a escalada do conflito. Caso o aumento do preço do petróleo se mantenha ao longo dos próximos meses, os preços dos combustíveis tendem a subir, com impacto sobre a inflação. Se essa pressão inflacionária se consolidar, o processo de redução da taxa de juros poderá ser interrompido ou adiado.
Ao mesmo tempo, a elevação do preço do petróleo pode ampliar as receitas externas do país, uma vez que o Brasil exporta petróleo em volume crescente. No entanto, o país depende da importação de derivados, em especial do diesel, grande parte adquirida dos Estados Unidos.
Outro ponto de pressão envolve a política de preços da Petrobras. A empresa já operava com diferença entre os preços praticados no mercado interno e as cotações internacionais. Com a alta do petróleo, essa diferença tende a aumentar, o que amplia a possibilidade de reajustes na gasolina e no diesel.
O agronegócio também pode ser afetado. A região do conflito concentra produção de fertilizantes e o Brasil importa cerca de 80% do volume que utiliza. A elevação do preço desse insumo tende a elevar o custo dos produtos agrícolas.
Os efeitos não se limitam aos combustíveis. Caso seja necessário ampliar o uso de usinas termelétricas, o custo da geração de energia elétrica poderá subir, ampliando a pressão sobre os preços na economia.
A situação ganhou novo componente com o fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã, rota por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
Diversos países mantêm estoques estratégicos de petróleo para situações de emergência. Se o conflito se prolongar por meses, a redução da oferta poderá provocar escassez de combustíveis, com dificuldades para o transporte, a produção industrial e o comércio internacional.
Avaliações iniciais em Washington estavam erradas, pois indicavam que a ofensiva poderia desorganizar o regime iraniano e abrir espaço para uma rápida transição política alinhada aos interesses ocidentais. O desenrolar do conflito aponta para um cenário diferente, onde o Irã demonstrou capacidade de reação e utilizou mísseis de longo alcance e drones em ataques distribuídos pela região.
Guerras revelam um padrão conhecido da história: sabe-se como começam, mas não se conhece a dimensão dos efeitos para a economia e sociedades.
