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Desde a crise econômica de 2008 houve piora dos níveis de emprego e de serviços públicos.
Os países vem sendo perturbados por reivindicações de melhores condições de vida, seja na educação, na saúde, no transporte público, na disponibilidade de emprego, nos preços de bens básicos, etc.
A crise de 2008 escancarou os contrastes do capitalismo. Os governos injetaram milhões em grandes empresas, para evitar a sua falência e estancar os efeitos de bancarrota em cascata. Essas ações geraram grandes gastos e incrementou o endividamento público. Para estancar o endividamento, o poder público passou a fazer cortes em programas sociais e nos serviços públicos básicos, atingindo diretamente as classes sociais mais simples. Foram beneficiadas as grandes empresas, mesmo tendo muitas delas terem tido papel ativo na geração da crise, com suas práticas especulativas, por outro lado, quem pagou a maior parte do custo da intervenção foram as classes populares.
Os Estados Unidos, maior economia capitalista do planeta, defensor do modelo de livre concorrência e interferência mínima do Estado, não ficaram ilesos a essas práticas. Em 2008, após ser surpreendido pela falência da Lehman Brothers, adquiriu 80% das ações da AIG (American International Group), seguradora da maior parte dos bancos do mundo. A prática de intervenção em empresas financeiras especuladoras foi reproduzida no mundo todo.
Para enfrentar a crise, o Brasil, a partir de 2008 optou por incentivar o consumo interno (responsável por ⅔ do nosso crescimento econômico), via aumento do crédito, e implantou outras medidas anticíclicas, como programas públicos de investimento (Minha Casa, Minha Vida; Programa de Aceleração do Crescimento), além da Petrobrás ter acelerado investimentos na exploração do pré-sal. Esse modelo adiou os efeitos da crise de 2008, mas exauriu e a partir de 2014 passamos a ter recessão interna, causada pelo endividamento público e privado, e tivemos uma grande crise política.
A crise econômica e as políticas para enfrentá-la são a causa da atual deslegitimidade política. Passamos a ter no mundo grandes níveis de desemprego, principalmente entre os jovens, e a implantação de políticas de austeridade fiscal, com sérios prejuízos para os gastos sociais.
As contradições econômicas fizeram ficar latentes as desigualdades sociais e causaram a revolta dos excluídos, dos sem emprego, sem moradia, sem educação, sem saúde, sem aposentadoria, etc, enfim dos sem esperança, no aguardo de uma oportunidade.
A classe dos excluídos não compreende a demora e o adiamento para atender às suas reivindicações e, por outro lado, os governos ficam assustados com as manifestações, a contestação das instituições democráticas, a não aceitação dos partidos políticos tradicionais, a eleição de políticos de extrema direita. É a crise da legitimidade política, titularizada por interesses antagônicos de uma minoria do poder econômico e uma grande classe despossuída dos seus direitos básicos e ávida por usufruir melhores dias.