A historiadora Heloísa Starling, em entrevista à Carta Capital, contida na edição 1254, de 12.04.2023, p-20-23, afirmou: “As instituições e as estruturas têm sido, ou foram até três meses atrás, destruídas por dentro. Nunca tivemos um presidente da República legitimamente eleito que passasse a usar o poder para destruir a democracia por dentro… O objetivo agora deve ser construir ferramentas para enfrentar esse processo e impedir que ele volte a acontecer. Aliás, Bolsonaro nunca mentiu a esse respeito. Em um evento para empresários em Nova York, ele disse que tinha vindo para destruir, não para construir. Se a gente olha para o panorama, é assustador.”
A eleição deu a oportunidade ao presidente Lula de reconstruir políticas públicas e, dessa forma, ser a antítese do que foi Bolsonaro.
Antes mesmo da posse, Lula negociou a aprovação da PEC da Transição, e garantiu recursos para o funcionamento das políticas públicas, como o pagamento do Bolsa Família no valor de R$ 600,00 e o adicional de R$ 150,00 por criança, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, etc.
Após a posse, a grande vitória política foi Lula ter utilizado sua liderança para articular rapidamente os agentes políticos, dos três poderes, para enfrentar os ataques ocorridos no dia 08.01. Dessa forma, mostrou união política para enfrentar os golpistas de extrema-direita, indignados com o resultado das eleições e interessados em implantar uma ditadura militar no país.
O Brasil, com o novo governo, passou a ser gerenciado de forma menos tensionada como nos 4 anos de Bolsonaro. Lula agiu para buscar o consenso para discutir os problemas nacionais e faz diálogo com todos os agentes políticos, inclusive os de oposição.
O atual governo trata a imprensa com dignidade e decoro, diferente da forma grotesca de Bolsonaro tratar os repórteres e veículos de comunicação.
Lula tem se deslocado rapidamente para os locais onde ocorrem tragédias, diferente do anterior que passeava de jet ski.
No campo político, de forma republicana, Lula retomou o pacto federativo, com relacionamento com os governadores, inclusive os de oposição.
Nas relações exteriores, o Brasil restabeleceu relações com os demais países e deixou de ser um pária mundial, inclusive fez acordos nas visitas à Argentina, Uruguai, Estados Unidos e China. Na China, Lula e comitiva foram recebidos com festa, ao som da música “Novo Tempo”, ilustrativa da renovação das relações entre os dois países.
Além de resgatar o papel republicano de governar, Lula relançou e reforçou diversos programas, como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Farmácia Popular, merenda escolar, etc.
O governo tem dificuldades a serem enfrentadas, como a necessidade de formação de uma base de apoio no Congresso, de retomar o desenvolvimento econômico e buscar ações para o Banco Central baixar as taxas de juros.
No geral, diante do cenário desastroso deixado pelo governo anterior, o presidente Lula, em seus primeiros 100 dias, teve êxito na reconstrução do país.