Em 2020, durante o debate eleitoral americano, Biden afirmou que o Brasil poderia enfrentar consequências significativas, caso não pare a destruição da floresta amazônica. Bolsonaro, reagiu, e no dia 10.11.2020, afirmou: “Assistimos há pouco um grande candidato à chefia de Estado dizer que se eu não apagar o fogo da Amazônia levanta barreiras comerciais contra o Brasil. E como é que podemos fazer frente a tudo isso? Apenas a diplomacia não dá, não é, Ernesto? Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, senão, não funciona“.
Depois da posse, Joe Biden tem tratado o Brasil como parceiro e iniciou tratativas para diminuir o desmatamento, mas sem descartar sanções para eventual omissão do governo brasileiro, como boicotes às exportações brasileiras e perda de investimentos. Tem condicionado ajuda à apresentação de projeto contendo resultados imediatos para eliminar o desmatamento ilegal da floresta amazônica, com meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030, adoção de fiscalizações, punições mais rígidas e resultados efetivos neste ano.
No dia 14.04 o governo enviou carta a Biden com promessa para eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030 e afirmou ter compromisso com o desenvolvimento sustentável. Comprometeu-se a alcançar em 2050 a neutralidade climática, dez anos antes do previamente assumido no Acordo de Paris, mas ressaltou ser necessário antecipar recursos financeiros significativos para o país. O governo se dispõe a trabalhar com as ONGs e os indígenas.
O porta-voz americano, John Kerry, em mensagem no seu Twitter, reconheceu ser importante o compromisso do governo Bolsonaro e pediu ações imediatas.
Os Estados Unidos tem se esmerado para ser uma liderança na busca de uma economia sustentável e convocou uma Cúpula dos Líderes sobre o Clima, prevista para os dias 22 e 23.04, a ser feita de forma virtual, na qual Bolsonaro poderá reforçar sua proposta.
No geral, é difícil esperar do atual governo a implantação de plano efetivo para conter o desmatamento, de fiscalização e de regulação ambiental, pois ele tem se caracterizado como um destruidor de processos de governança pública eficazes, em diversas áreas. Na ambiental, é um crítico das Organizações Não Governamentais (ONGs), age para desregulamentar as normas ambientais, sabota ações de fiscalização, afronta os ambientalistas, o desmatamento bateu recorde em 2019 e 2020, e tem um Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atuando flagrantemente a favor da proteção da exploração econômica da mata amazônica.
Um exemplo de ação do Ministro contra o meio ambiente, foi ter se deslocado duas vezes ao Pará com o objetivo de afrontar a Polícia Federal e se posicionar a favor de supostos delinquentes, quando da realização da apreensão de madeira, realizada pela Polícia Federal, em dezembro de 2020, com interdição de 131 mil metros cúbicos em toras.