A pesquisa do Datafolha, divulgada dia 12.05.2021, mostrou a perspectiva de vitória de Lula nas eleições para presidente da República em 2022, no primeiro e segundo turno. Ela mostra a capacidade de ressurgimento do petista, o qual submergiu em um “ostracismo” a partir de 2017 (processo, condenações, prisão) e renasceu em 2021, após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular as condenações ocorridas em Curitiba e considerar suspeito o ex-juiz, Sérgio Moro, no processo do Triplex, do Guarujá. O fato também prova a incapacidade do país em renovar lideranças políticas.
Fernando Henrique Cardoso (89 anos) afirmou preferir uma terceira via, mas votará em Lula, na hipótese de um segundo turno.
Lula tomou posse pela primeira vez como presidente da República, no dia 01.01.2003, em meio a grande expectativa e temores, com baixo crescimento econômico e alta da inflação. O eleitorado votou em Lula com expectativa de melhoria no desempenho nas áreas de combate à fome e à miséria, saúde, desemprego, esporte, cultura, meio ambiente, habitação, transporte, reforma agrária, turismo, energia, economia e combate à corrupção. De imediato, Lula defendeu um novo contrato social, criou câmara para coordenar os programas sociais, criou o “Fome Zero”.
Ele foi reeleito graças a realizações na área social, apesar de ter um governo com crescimento econômico menor do que o prometido e do escândalo do Mensalão (a envolver a administração federal e parlamentares da base aliada em um esquema de compra de apoio político). Tomou posse em 01.01.2007, com um ministério com menor participação de membros do Partido dos Trabalhadores (PT) e maior participação de outros partidos, para fortalecer a articulação com o Congresso.
Nos oito anos de Lula no governo o Brasil foi beneficiado pela valorização das commodities, houve euforia no mercado acionário, encerrou seu governo no auge de sua popularidade (83% avaliaram sua gestão como ótima ou boa) e conseguiu eleger a sua sucessora, Dilma Rousseff.
Para se candidatar em 2022, Lula necessitará fazer reflexão sobre os erros ocorridos nos governos do PT e efetuar o compromisso de não repeti-los. Da mesma forma, precisará aguçar modelo de governança para ter estabilidade para gerar os ganhos sociais necessários para o Brasil diminuir as desigualdades e aumentar as oportunidades para o povo.
O atual estágio consolida a polarização, entre o petismo e o bolsonarismo, sem o aparecimento de uma terceira via eleitoral com capacidade de crescimento e de vencer as eleições de 2022.
O Brasil é um país a caminhar, em diversos setores, sob a inspiração dos Estados Unidos. Teve em 2018 a eleição de Jair Bolsonaro, na onda da eleição de Trump. Em 2022, por sua vez, os Estados Unidos têm um presidente experiente, com 78 anos de idade, e o Brasil ensaia ter candidatos com o mesmo perfil, como Lula (75 anos), Tasso Jereissati (72 anos).