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A economia do pós-coronavírus

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Foto: Cacalos Garrastazu (https://fotospublicas.com/da-minha-janela-por-cacalos-garrastazu/)

 

 

O coronavírus aprofundou a recessão e muitos acreditam ser essa pior do que a de 1929, poderemos ter uma nova ordem econômica.

Martins Gilbert (A história do século XX, São Paulo: Planeta, 2016, p. 223-245) escreveu que em 1929 nos Estados Unidos faliram 26.355 empresas e 1.326 bancos, 11 milhões de pessoas desempregadas, era comum “fila do pão”. Em 1933, Franklin Roosevelt apresentou o programa New Deal, para combater a recessão e aumentar a confiança. Foram previstos gastos públicos para recuperar indústrias, aumentar empregos, pagamento ajuda a milhões de pessoas, instituição de direitos sociais (seguro-desemprego, seguro-saúde, pensões para idosos e cegos, salário mínimo, cargas horárias máximas, vedação trabalho infantil).

A sociedade atual é diferente e o mundo não vai parar. O papel do poder público continua primordial para, em tempos de crise,  garantir a saúde das pessoas, das empresas e evitar o aumento das desigualdades.

As medidas públicas de estímulo serão prorrogadas, pois até o aparecimento da cura, as pessoas necessitarão do isolamento, mesmo parcial.

Os Estados Unidos e Europa sofrerão maiores danos econômicos. A China consolidará seu poder econômico, por ter enfrentado mais assertivamente o vírus, apesar das suspeitas de falta de transparência na divulgação de informações sobre o vírus.

Existem previsões sobre a duração da crise. Em um ambiente de retorno da doença, a economia poderá sofrer os efeitos por 18 meses. Muitas empresas não sobreviverão e os governos deverão auxiliá-las a mudar de ramo de negócio e adaptar os empregados para novas funções.

No geral, a crise atual trará mudanças para o quadro econômico mundial. Haverá reversão da globalização (volta de empresas para seus países de origem, diminuição fluxo de pessoas, etc.) e uso de políticas nacionalistas. Ocorrerá refluxo das políticas neoliberais e os gastos públicos estimularão a economia, a rede de saúde e a indústria doméstica será fortalecida, o Estado deterá maior participação na economia. Teremos alteração do fluxo de trocas, com diversificação das fontes de suprimento. Os governos aumentarão o seu endividamento, mas, com o crescimento das economias no futuro, o tamanho de sua dívida diminuirá. Também as empresas e famílias ficarão mais endividadas, com corrosão do poder de compra. Teremos a proliferação de barreiras protecionistas. Ocorrerá a aceleração e consolidação do uso de tecnologias digitais.

Os efeitos serão profundos, com economias mais isoladas e auto-suficientes, com reflexos no equilíbrio das nações. Internamente, os consumidores mais digitais estarão mais informados, farão comparação de preços e usarão mais eficientemente os diversos canais de comercialização.  Muito além da economia, o coronavírus pode inaugurar uma série de catástrofes do século XXI, causadas pelas agressões ao meio ambiente, mas isso é assunto para outro momento.

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