No dia 14.03 foi publicado, na Folha de São Paulo, o artigo de Juca Kfouri, sob o título “Neste estranho país, surgem defensores do direito de contaminar”, com a discussão sobre a liberdade e o direito de ir e vir.
O direito de ir e vir foi limitado na pandemia do coronavírus, com a vedação da circulação de pessoas em certos horários e locais, somente sendo permitido, por exemplo, o funcionamento do comércio essencial. Entretanto, todas essas medidas visam proteger a saúde de todos e evitar o caos no atendimento hospitalar.
Por outro lado, as regras limitadoras do funcionamento das atividades econômicas ameaçaram a sobrevivência das pessoas dependentes delas, como os empresários, empregados, locadores de imóveis, etc. Faltou ao governo federal adotar ajuda econômica mais ampla, com o ressarcimento das despesas dos agentes econômicos, como salários, aluguéis, etc.
Infelizmente o que foi feito foi insuficiente, não vencemos o vírus e se não tivessem sido adotadas ações preventivas, com vedação do direito de contaminar, hoje estaríamos com uma situação mais catastrófica.
Apesar de tudo, caminhamos para 300 mil mortos, em grande medida, pelo fato do Presidente da República, Jair Bolsonaro, desde março de 2020, ter adotado posição a favor da manutenção de todas as atividades econômicas e com retórica contrária a vacinas e estimuladora do direito de contaminar, com recriminação do isolamento social e do uso de máscaras, sabotando o trabalho dos governadores e prefeitos.
Todo esse quadro, de desencontro de políticas públicas de combate ao vírus, gerou desinformação e dificultou atingir as metas de enfrentamento do vírus.
Jair Bolsonaro está cada vez mais solitário em sua estratégia e seu nome é ridicularizado nacionalmente. Ele, atualmente, encontra um cenário político adverso, seja pela queda de popularidade, seja pela nova onda de mortes ou por Lula ter seus direitos políticos restituídos. Agora, é impossível um governo errar tanto para preservar a saúde do povo e, com isso, afetar negativamente milhões de famílias, e ainda esperar manter a sua popularidade.
No artigo citado acima, cita-se: “É preciso, imediatamente, estancar a escalada assassina da necropolítica federal, e exigir firmeza dos governos estaduais e municipais. No futuro, será hora de responsabilizar judicialmente os que concorreram para o tamanho da calamidade.”
Bolsonaro não teve a serenidade e sensibilidade para apoiar e coordenar medidas de combate ao vírus, seja preventivas (isolamento social, máscara, etc.) e reativas (aquisição de vacinas).
Outros países, como os Estados Unidos e China, demonstraram terem sido necessárias medidas preventivas, vacinação em massa e pacote de ajuda de recursos públicos para se alcançar a retomada econômica o mais rápido possível. O Brasil, por sua vez, ao adiar a adoção de medidas sanitárias coordenadas e eficazes, na mesma proporção, atrasa a sua retomada econômica.