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Foto: Guilherme Cunha (https://unsplash.com/pt-br/fotografias/homem-andando-no-canteiro-de-obras-4zwozQxDbD4)

Crise na indústria siderúrgica brasileira: desafios e perspectivas

A indústria siderúrgica do Brasil atravessa um período crítico, evidenciado pelas recentes decisões da ArcelorMittal e da Gerdau, conforme reportado no Valor Econômico de 17 de novembro, página B4. A ArcelorMittal anunciou a suspensão de operações e a concessão de férias coletivas, enquanto a Gerdau demitiu cerca de 700 colaboradores. Estes eventos refletem a crescente importação de produtos siderúrgicos.

As importações de aço aumentaram 50%, especialmente provenientes de países asiáticos, como a China, da Rússia e da Turquia, elevando a participação de produtos importados no mercado nacional para 30%.

Diante desta crise, surgiram demandas por medidas emergenciais, como a proposta de uma alíquota de importação de 25% para restabelecer o equilíbrio no mercado e proteger a produção nacional. Decisões passadas do governo, como a isenção de tarifas para a importação de chapas de aço em março, impactaram negativamente o faturamento das siderúrgicas locais, enquanto outras nações, a exemplo da China, adotaram políticas de estímulo à exportação para mitigar quedas na atividade econômica interna.

Esse contexto reflete um cenário mais amplo que enfraquece a indústria nacional. Após um período robusto de industrialização até os anos 1990, a abertura excessiva às importações gradualmente prejudicou esse setor, inundando o mercado interno com produtos estrangeiros, muitos de qualidade duvidosa.

Observamos uma mudança na estrutura de nossas exportações. Em 1978, 78% das exportações eram de manufaturados, enquanto em 2020 predominaram as commodities. Enquanto isso, a China, que possuía um parque industrial comparável ao brasileiro em 1980, tornou-se a maior parque industrial mundial, impulsionada por políticas de estímulo governamental e a abertura comercial de diversos países.

Consequentemente, testemunhamos um retrocesso da matriz industrial para uma economia primária, com o declínio da indústria e a ascensão dos setores primários (mineração, agronegócio, pecuária). O Brasil, tradicional exportador de minério de ferro bruto para a China, agora enfrenta a concorrência de produtos siderúrgicos com maior valor agregado, prejudicando a indústria local.

Essa transição resultou na predominância de mão-de-obra desqualificada, baixos salários, menor arrecadação de tributos e limitada acumulação de capital.

Para superar esse cenário, é crucial buscar uma indústria com maior valor agregado, fomentando setores capazes de produzir bens tecnológicos avançados. Isso requer estímulo à inovação e políticas que gerem empregos e arrecadação de impostos internamente.

Assim, este momento convoca não apenas ações emergenciais, mas também uma reflexão profunda sobre políticas que impulsionam a produção local, a inovação e capacitem o Brasil a competir globalmente de maneira justa e equilibrada. Essa trajetória é fundamental para conter crises setoriais e nos mostrar a importância de políticas públicas permanentes de estímulo à indústria nacional.

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