O contexto político suscita debates divergentes, como a discussão sobre a redução do tamanho do Estado na economia versus o Estado como fomentador do desenvolvimento econômico.
A recente interrupção no fornecimento de energia elétrica que atingiu a cidade de São Paulo, deixando 413 mil endereços sem energia devido às intensas chuvas do dia 3 de novembro, destaca a realidade de que nem sempre a garantia da continuidade do serviço público e sua eficiência são asseguradas por meio do processo de privatização.
A empresa Enel enfrentou dificuldades para restaurar o fornecimento de energia e demonstrou disposição apenas para ressarcir danos a aparelhos eletrônicos.
O Estado e a cidade de São Paulo demandaram soluções mais ágeis e o ressarcimento integral dos prejuízos dos clientes.
Os impactos para os consumidores foram significativos, incluindo perdas de faturamento, além de custos da locação de geradores de energia e perdas de alimentos.
Este episódio evidencia a falta de preparo da concessionária para assegurar a continuidade do serviço de energia elétrica em eventos de falha no sistema. Além disso, destaca a capacidade de faturamento expressivo da empresa com o fornecimento de energia, contrastando com sua falta de sensibilidade para ressarcir integralmente os prejuízos dos clientes, como custos com aluguel de geradores, perdas de alimentos e de faturamento. Isso revela um desequilíbrio preocupante entre o lucro obtido e o fato de deixar os prejuízos para os clientes, sugerindo uma falta de comprometimento com o interesse público, elemento crucial na prestação de um serviço público.
Este evento gerou debates sobre os benefícios das privatizações, tendo sido discutida a possibilidade de reestatização dos serviços de energia elétrica no Estado de São Paulo. Além disso, tornou mais desafiadores os planos de privatização, como os da Sabesp em São Paulo e da Cemig e Copasa em Minas Gerais.
No âmbito mineiro, o Governador Zema planeja privatizar a Cemig e a Copasa. A estratégia adotada inclui um processo de enfraquecimento dessas empresas estatais, reduzindo sua relevância na economia e minimizando a resistência pública à privatização. Por exemplo, a Cemig, atualmente tem um quadro de pessoal insuficiente para prestar um serviço eficiente, em torno de 5.000 funcionários, e tem terceirizado a manutenção da rede para empresas com equipes de funcionários com treinamento precário, resultando em serviços de baixa qualidade.
A privatização acarreta a transferência de setores estratégicos para as mãos de empresas privadas, criando um cenário similar ao do Chile, onde os cidadãos arcam com os custos dos serviços públicos essenciais (água, energia, transporte, correios, previdência, saneamento, etc.) executados por concessionários privados. Esse cenário aponta para um futuro em que os interesses financeiros predominam sobre os interesses públicos, comprometendo a qualidade e a eficiência dos serviços oferecidos à população.