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Foto: Lula Marques/ Agência Brasil (https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2023-05/ex-presidente-jair-bolsonaro-1684442211-0)

As polêmicas e mudança de postura de Jair Bolsonaro

Foi publicada entrevista com o ex-presidente Jair Bolsonaro nas páginas 22-29, da revista Veja, datada de 24.05.2023, número 2842.

No período de 01.01.2019 a 31.12.2022 o ex-presidente fez louvores à ditadura militar de 1964, ofensas a grupos específicos (mulheres, LGBTQIA+, indígenas, etc.) e às instituições democráticas (Supremo Tribunal Federal (STF), Congresso Nacional, sistema eleitoral, urnas eletrônicas), na pandemia do coronavírus desencorajou medidas de isolamento social e do uso de máscaras, foi contra a eficácia da vacina, atacou a imprensa.

Bolsonaro foi derrotado nas eleições e manteve-se em silêncio, não aceitou a derrota, não passou a faixa presidencial ao novo presidente. Dessa forma, estimulou seus seguidores a prosseguirem com atos radicais, como fechamento de rodovias, colocação de bombas perto do Aeroporto de Brasília, vandalismo em Brasília na data da diplomação de Lula (12.12.2022), ataques contra os prédios da praça dos 3 poderes em Brasília.

A grande marca do governo de Bolsonaro foi o desprezo pela vacina e medidas de prevenção contra o coronavírus. Por exemplo, no dia 04.03.2021, em São Simão, Goiás, afirmou: “Chega de frescura e de mimimi, vão ficar chorando até quando? Temos que enfrentar os problemas, respeitar obviamente os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades. Mas onde vai, onde vai parar o Brasil se nós pararmos? A própria Bíblia diz, que em 365 citações, ela diz: ‘Não temas’“.

Agora, o ex-presidente na entrevista à Veja mostra atitudes ponderadas e joga a culpa por seus erros para seus assessores, bem diferente daquela pessoa que afirmou no dia 17.05.2021, na saída do Palácio da Alvorada: “Fique tranquilo. Já falei que sou imorrível, imbrochável e também sou incomível…”

O ex-presidente hoje age manso por ter perdido capital político, diminuição de seguidores nas redes sociais e por temer as investigações no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na entrevista, sobre o episódio da falsificação dos certificados de vacinação, afirmou: “da minha parte não tenho problema nenhum. Eu não precisava de vacina para entrar nos EUA”, deixando todas as suspeitas recaírem sobre o seu ajudante de ordens, Tenente-Coronel Mauro Cid. Quando perguntado se houve fraude nas urnas, Bolsonaro respondeu: “Esse assunto é página virada”. Ao ser perguntado se estava fugindo de polêmicas, Bolsonaro disse: “Eu não quero problemas. Quero apenas o bem do meu país.

Sobre os ataques de 08.01 aos prédios dos 3 Poderes, Bolsonaro afirmou ter sido feito por “marginais”. Neste momento, a repórter da Veja deveria ter perguntado se a atitude do próprio Bolsonaro, de não reconhecer o resultado das eleições, não colaborou para iludir e passar uma falsa realidade para os seus seguidores de uma possível reviravolta no resultado eleitoral.

Caso Bolsonaro tivesse se comportado com sobriedade na presidência, como fez na entrevista à Veja, hoje a sua situação e do país seria melhor, mas percebe-se que ele sem poder é manso, bem diferente de quando tinha poder.

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