Desde a posse, Jair Bolsonaro sai do Palácio da Alvorada, faz pronunciamentos, responde perguntas no chamado Cercadinho, que é uma barreira física para manter uma distância entre os cidadãos e os agentes políticos. Geralmente, as pessoas presentes são apoiadores, com a intenção de aplaudir e apoiar as falas.
Muitas das afirmações objetivam ter efeito midiático, com repercussão nos meios de comunicação e redes sociais. O maior exemplo foi, segundo reportagem da Folha de São Paulo, ter sido contratado apoiador para fazer perguntas em abril de 2020 sobre entrevista do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, tendo o presidente respondido: “Eu não assisto a Globo”.
A cena mais impactante, foi o presidente imitar pessoas com falta de ar, em um ato de ironia e crítica às medidas preventivas de combate ao coronavírus.
Essas cenas são ridículas, repletas de ataques à oposição política e à mídia, sob os reflexos de aplausos de bajuladores. Isso fez o presidente, muitas vezes, acreditar estar fazendo o correto e incentivou ele a repetir os gestos.
Infelizmente, um homem titular de cargo público não pode acreditar em seus seguidores fiéis, pois esses estão interessados em apoiar qualquer ato, seja ele certo ou não. Com isso, os apoiadores geram uma falsa onda pública de aprovação a todos os atos e o agente público, se acreditar nesses apoiadores, repetirá atos errados e inaceitáveis.
O governo do futuro presidente da República, Lula, eleito dia 31.10, tem a perspectiva de encontrar a partir de 2023 uma oposição renhida e feroz no Congresso Nacional. Entretanto, após a eleição, os holofotes e atenções políticas viraram para ele.
O presidente da Câmara e do Senado parabenizaram Lula logo após a divulgação do resultado das eleições. Por sua vez, o Centrão já negocia condições para fazer parte da base de apoio do governo no Congresso.
A equipe de transição de Lula negocia, com apoio do Congresso e do Tribunal de Contas da União (TCU), recursos para viabilizar as principais promessas do novo governo, como reajuste do Bolsa Família para R$ 600, aumento real do salário mínimo, recursos para farmácia popular, aumento da faixa de isenção do imposto de renda, etc. Legalmente, a alternativa aventada é a edição de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para autorizar gastos extras e acima do teto. O TCU apresentou a possibilidade de dar parecer favorável ao gasto extraordinário, via Medida Provisória, para cumprir com essas promessas.
Entretanto, Lula, um político experiente, não pode ficar extasiado pelos afagos dos titulares dos diversos órgãos políticos ou mesmo de seus apoiadores. Dessa forma, deve estar atento a ponderações e críticas racionais da oposição responsável, sem se deixar enganar por adulações oportunistas ou por narrativas de uma oposição desarrazoada.