O presidente da República, Jair Bolsonaro, em live realizada no dia 30.06, exaltou o aumento de clubes de tiros no país, desde que flexibilizou o porte e a aquisição de armas: “quando assumimos tinha em torno de 1650, agora temos 2850”. Entretanto, alertou que, caso o ex-presidente Lula ganhe as próximas eleições, teremos problema: “Não esqueça que o outro cara, o de nove dedos, já falou que vai acabar com o armamento no Brasil. Vai recolher as armas, clube de tiro vai virar biblioteca”.
Esta fala está em perfeita sintonia com as ações do atual governo de menosprezo a educação, a ciência, a tecnologia e apoio a “fake news” e ao obscurantismo.
Bolsonaro, com sua fala, age como “garoto propaganda da campanha eleitoral de Lula”, pois os símbolos de um país civilizado, do conhecimento e da cultura devem ser exaltados e comemorados.
O presidente demonstra preferir clubes de tiros, detestar clubes de livros (bibliotecas). Seu governo tem liberado o uso de armas, sem exigências mínimas.
No Brasil um policial, para iniciar a carreira e poder ter treinamento para exercer a profissão, tem de se submeter a diversos exames, inclusive psicológicos. Após a aprovação no exame de admissão, ele tem diversas lições, como o controle diante de situações de estresse extremo e orientações para usar a arma somente em ocasiões inevitáveis.
Por sua vez, o cidadão comum frequenta um clube de tiros para aprender a atirar, a empunhar uma arma, a mirar. Ao final, se acha preparado para usar uma arma, mesmo sem ter sido submetido a testes médicos e psicológicos.
No dia anterior, 29.06, Jair Bolsonaro, em entrevista exibida pela Fox News, disse que se reeleito pretende aprovar leis de armas de fogo parecidas com as dos Estados Unidos: “Se for reeleito, se tudo correr bem, teremos um apoio substancial no Congresso e poderemos aprovar leis sobre armas de fogo muito parecidas com as dos EUA… Na verdade, não consegui mudar a lei brasileira, mas por meio de um decreto presidencial e também por meio de portarias ministeriais, interpretamos da melhor forma possível a legislação existente”.
Quer dizer, o objetivo do presidente é tornar o Brasil igual os Estados Unidos no quesito armas. Lá compra-se armas em supermercados, lá é possível empunhar rifles nos automóveis, lá ocorrem frequentes mortes por tiros em hospitais e escolas. O meio político e a opinião pública dos EUA tentam limitar o porte e aquisição de armas, mas encontram limitações na sua Constituição. A sua legislação permissiva a armas tem gerado insegurança e ocasionado tragédias episódicas, com vítimas fatais.
De modo geral, o brasileiro quer o padrão americano de desenvolvimento econômico, de apoio ao conhecimento e a tecnologia, mas não o de armas. A grande maioria dos brasileiros quer uma política de segurança pública eficaz, com os civis portando livros, ao invés de armas.