O índice de inflação de 1,62%, em março de 2022, conforme Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acendeu o sinal de perigo da volta da hiperinflação. Ele é o resultado visível dos transtornos causados pelo reajuste dos combustíveis no dia 11.03, de 18,77% da gasolina, 16,06% do gás de cozinha e 24,93% do diesel.
Esse índice de inflação é a maior variação para um mês de março desde 1994, quando o índice foi de 42,75%, no período que antecedeu a implementação do Real.
O acumulado nos últimos 12 meses da inflação é de 11,30%, acima dos 10,54% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.
O índice veio acima do esperado pelas autoridades, mas as pessoas do mundo real já vinham sentindo o aumento dos preços de produtos e serviços, como reajustes nas passagens de ônibus, corridas de aplicativos (UBER, etc.), táxi, alimentos, materiais de construção, etc.
O Brasil é um país com modal de transporte rodoviário predominante e o reajuste do diesel, em impressionantes 24,93%, impactou nos preços dos alimentos, com reflexos negativos na mesa.
A pesquisa do IBGE detectou terem os grupos de transporte e alimentação respondido por cerca de 72% do IPCA, com transportes com variação de 3,02% e alimentação e bebidas, com alta de 2,42%.
Esses índices demonstram termos uma tendência inflacionária ascendente.
No geral, a inflação causa a perda do poder aquisitivo da renda, principalmente das famílias mais vulneráveis, com aumento da fome, da miséria e da carestia, desequilibra os gastos públicos, gera o aumento das taxas de juros, ocasiona a perda de referência de valores na economia.
No Brasil criou-se a percepção recente de ser o Banco Central (BC) o único obrigado a cumprir a meta de inflação. Entretanto, essa obrigação é de todos os poderes (executivo, legislativo e judiciário). Não se pode ter um BC combatendo a inflação e as demais autoridades agindo como se pudessem gastar livremente, seja com reajustes a servidores ou aquisições de produtos.
Medidas de reajuste são necessárias, seja de salários, benefícios sociais, etc. mas são meros paliativos e reações à inflação, pois, com a persistência do ritmo ascendente inflacionário, estaremos em um corrida sem ganhadores, com inflação retirando o poder de compra dos agentes, com reajustes de um setor sendo seguido por alta de preços de outros setores.
Dessa forma, todas autoridades devem se articular para cumprir as metas de inflação, com medidas monetárias e fiscais rígidas, com reformas administrativas e tributárias, com controle dos gastos públicos e cumprimento do teto de gastos, etc, pois atacar o ímpeto inflacionário é a melhor maneira de preservar o poder de compra da moeda nacional e dos agentes econômicos.