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Impacto da pandemia do Coronavírus na prestação de serviços não Covid pelo SUS

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A Revista The Lancet, publicou em seu site, no endereço https://www.thelancet.com/journals/lanam/article/PIIS2667-193X(22)00039-4/fulltext, o artigo “Brazil’s health system functionality amidst of the COVID-19 pandemic: An analysis of resilience” (Funcionalidade do sistema de saúde do Brasil em meio à pandemia de COVID-19: uma análise da resiliência), no dia 04.03.2022, elaborado por Alessandro Bigoni, Ana Maria Malik, Renato Tasca, Mariana Baleeiro Martins Carrera, Laura Maria Cesar Schiesari, Dante Dianezi Gambardella, Adriano Massuda.

Esse artigo mostra o impacto em 2020 do enfrentamento da Covid pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil “na prestação de serviços de saúde não COVID, considerando as desigualdades regionais da alocação de financiamento do sistema de saúde, infraestrutura de saúde e força de trabalho em saúde.

É sabido que muitos brasileiros adiaram tratamentos médicos preventivos e urgentes, seja para evitar o contato físico, para atender recomendações de distanciamento social, por falta de médicos para atendimento devido à prioridade de todos os recursos humanos e físicos para o combate ao coronavírus. O resultado foi a redução de cirurgias eletivas, pois a prioridade era o enfrentamento do coronavírus e somente foram efetuados os serviços urgentes de saúde não Covid.

O governo federal aumentou as transferências para saúde em 38,6% para Estados e 33,9% para municípios, com transferências iguais entre as federações, mas os gastos em saúde não aumentaram de forma igualitária.

Houve aumento de 13,6% de empregos de enfermeiros, 8,5% de auxiliares de enfermagem, 7,9% de fisioterapeutas, 4,9% de médicos.

Ocorreu redução de -42,6% nas triagens, -28,9% nos diagnósticos, -42,5% nas consultas médicas, -59,7% nas cirurgias de baixa e média complexidade, -27,9% nas cirurgias de alta complexidade, -44,7% nos transplantes, -19,1% nos tratamentos e procedimentos clínicos por lesões de causas externas, de -8,5% nos procedimentos irreprimíveis, -12,6% nos partos. Esses números demonstram o enfrentamento a Covid ter ocasionado queda dos procedimentos de saúde não-covid no SUS, apesar do aumento dos recursos para a saúde. Esse fato ameaça as pessoas mais vulneráveis, pois o SUS é a principal fonte de atendimento para 75% da população.

Esses procedimentos médicos adiados durante a pandemia, a partir de 2020, acarretarão uma sobrecarga do sistema de saúde do país no futuro.

Em 2022, após o país atingir níveis de 70% da população imunizada e ter queda dos números de infectados e mortos, o governo deve investigar, o mais rápido possível, a demanda reprimida de serviços não-Covid. Para isso, deve reativar os procedimentos de diagnóstico e triagem de não Covid, mensurar a extensão dos casos não atendidos e adotar ações para o SUS atender urgentemente os procedimentos de não-covid da população.

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