Em 2022 teremos eleições para a escolha do novo presidente da República e esperamos estar contido nas propostas eleitorais dos candidatos a abordagem de reindustrialização e revigoramento da indústria nacional.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou a Pesquisa Industrial Anual (PIA) 2019 demonstrando a perda, no período de 2013 a 2019, de empresas, empregos e faturamento das indústrias.
Houve perda de 28,6 mil empresas, 1,4 milhão de postos de trabalho.
Em 2019 as 306,3 mil empresas industriais geraram R$ 3,6 trilhões de receitas líquidas de vendas, com o pagamento total de R$ 313,1 bilhões de salários.
A fabricação de produtos alimentícios é a principal atividade industrial e representa 20,5% da receita líquida de vendas da indústria, com 3,3% maior do que a registrada no começo da década (17,2% em 2010).
Em 2019 as atividades que mais empregaram foram a fabricação de produtos alimentícios (21,6%), a confecção de artigos do vestuário e acessórios (7,5%), produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (5,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (5,8%) e produtos de minerais não-metálicos (5,1%).
As estatísticas mostram o país ter grande parte da indústria nacional ligação com o agronegócio e a mineração, setores responsáveis pela maior parte das exportações brasileiras atuais, cerca de 70%.
De 1930 a 1990 tivemos um processo de industrialização. A partir daí, tivemos a implantação de uma nova política industrial com a abertura às importações e os importados dizimaram ramos da indústria nacional de manufaturados, principalmente de tecidos, confecções, fios, eletroeletrônicos.
A pauta de exportações passou de predominante de manufaturados, em 1978, para commodities, em 2020, com o retrocesso da economia de matriz industrial para a primária.
Com isso a economia transitou de característica industrial, com o uso de mão de obra qualificada, pesquisas para agregar valor aos produtos, uso equipamentos mais sofisticados, e passou a ter uma economia primária com uso intensivo de mão de obra desqualificada, salários baixos, uso de pouca tecnologia, geração menor arrecadação de tributos e acumulação de capital.
Exportamos primários e importamos produtos sofisticados, como celulares, computadores, etc. Os saldos financeiros da exportação de produtos primários podem, no curto prazo, serem benéficos financeiramente para o país, mas, no longo prazo, o ideal é termos uma indústria agregadora de valor. Além disso, devemos incentivar a implantação de amplos ramos industriais produtores de bens tecnológicos, como chips, eletrônicos, eletrodomésticos, radares, drones, etc.
Os interessados a serem presidente da República têm a chance de manifestar a intenção de revigorar a economia nacional, dar um alento a amplos setores industriais e de lutar contra resistência de setores retrógrados nacionais, muitos deles ligados a interesses externos (de setores ligados a cadeias produtivas internacionais).